domingo, 13 de janeiro de 2019

O GOLPE DE ANA ROSA NO BARBA AZUL DO SERTÃO


Autor: Merlânio Maia

Quem de fato tem juízo
Não vai dar trela a mentira
Nem bulir com o egoísmo
Nem com orgulho, ou a ira
Mas um dos grandes defeitos
Que acontece aos eleitos
É a ganância e a ambição
Que esta ajunta todo vício
E joga no precipício
Todo incauto sem perdão

Pois bem, hoje conto a história
Do Barba Azul do Sertão
Foi Zeca de Chico Zuca
Nasceu pra sedução
Aonde mulher passasse
Ou que com ele cruzasse
Ele já atocaiava
Com a conversa maneira
Abrindo certa clareira
Seduzia e abocanhava

Mas nada sério queria
Era rico o afamado
Herdara do Chico Zuca
Muita riqueza e guardado
Muita terra e gado manso
Seus Neloris um avanço
De prêmios ganhou milhões
E sozinho triplicou
A fortuna que ganhou
Tinha tino pra cifrões

Tinha rede de farmácias,
Rede de supermercados,
Distribuidoras mil
Nesse nordeste sagrado
Mil postos de gasolina
De Formosa até Campina
Seu gado andava em suas terras
E ele mais se expandia
Pro Sul, Sudeste e seguia
Pois riqueza nunca encerra

Tinha fazenda no Acre,
Rondonia e no Pará
Criava Búfalo no Norte
Que infestava o Amapá
Minas de ouro e de prata,
Muito dinheiro na lata,
No banco e na consciência
Mas sem sorte com mulher
As seduzia e sequer
Tinha depois paciência

Coisa de admirar
Aonde Zeca punha a mão
Virava lucro e dinheiro
Era o Midas do Sertão
Mas o dinheiro somente
Deixa o cabra diferente
E dinheiro sem saúde
Não serve mais para nada
E o cabra segue a jornada
Mudando de atitude

Foi o caso de seu Zeca
O coração deu-lhe um tranco
Que quase que ele vai
Morar sob o túmulo branco
Mas conseguiu se salvar
E o médico foi lhe falar
Nesse dia torturante:
- É Zeca seu coração
Não tá prestando mais não
Agora só no transplante!

Ele então desesperou
Pois não tinha nem herdeiro
Pai e mãe já se passou
Seus filhos eram dinheiro
Mas Dr. Charles num instante
Disse: A fila de transplante
Já tem seu nome na espera
Peça a ajuda ao Pai do Céu
Que é dele esse papel
Pra lhe manter cá na esfera

Quem foi Zequinha na vida
Começou sentir saudade
Das mil e uma mulheres
Das farras em mil cidades
O Barba Azul do Sertão
Caiu numa solidão
Chega dá pena falar
Tanto bem acumulado
Para tudo quanto é lado
E a morte no calcanhar

Mas a vida dá mil voltas!
Na cidade de Formosa
Onde morava Zequinha
Também vivia Ana Rosa
No auge dos vinte anos
Com tanta ambição nos planos
Não suportava a pobreza
Soube daquela tragédia
E resolveu fazer média
Buscando ganhar nobreza

Passou a ir à Igreja
Na missa que Zeca ia
Ajudava ao Padre João
Cantava na liturgia
Fazia todo dever
Tudo pra Zeca lhe ver
Como se vê uma santa
E o padre já admirava
A irmã que ali chegava
Pra tarefa que era tanta

Era lindo aquele ser
De coração venenoso
O corpo era uma viola
Tinha os cabelos sedosos
Seios fartos, pele lisa,
Boca carnuda e precisa
Pescoço esguio e bem feito,
Cintura fina e o bumbum
Feitiço pra qualquer um
Perder compostura e jeito

A Igreja enchia de jovens
Na missa que Ana ia
Ficava gente lá fora
Na hora da liturgia
E Ana fazia a leitura
Da Igreja à Prefeitura
Enchia de gente em frente
Os maridos pra espiar
E as mulheres pra brigar
Por causa daquela crente

Por onde Ana passava
Os homens se perturbavam
O padre e até as beatas
Junto a ela ruborizavam
Mas Padre João muito atento
Disse: - Arrume um casamento
Você nasceu para o lar.
E Ana Rosa tão discreta
Com a armadilha completa
E o plano a funcionar

Um dia confessa ao Padre:
- Sinto tanta compaixão
Pelo caso de seu Zeca
É quase amor, Padre João!
E o padre caiu na treta
E foi tocar a retreta
Pra Zequinha em cor de giz:
- Não há esposa melhor
Nem com o coração maior
Case e seja bem feliz!

Zeca nem acreditou:
- Padre e se for armação?
O Padre disse: Não é!
Case com separação
De bens e depois verá
Ponho a mão no fogo já
Velará por noite e dia
Você está vivendo a esmo
Já que não tem ninguém mesmo
Viverão de alegria

Zeca com o coração fraco
Quase em dias de morrer
Resolveu casar com Ana
Se ela aceitasse viver
Sem festa, ou sociedade
Sem nem sair da cidade
Pra lhe amparar e cuidar
Pois sua crise era forte
E não queria com a morte
Sozinho se deparar

E assim mandou chamá-la
E ela chegou muito linda
Carinhosa, afetuosa
E bem mais cheirosa ainda
Falou do encantamento
Que findaria o tormento
Cuidando com devoção
E fez Zeca acreditar
E até com ela sonhar
No jardim do coração

E assim casaram-se os dois
Em singela cerimonia
E a nobreza lhe caia
Mais perfeita que se sonha
E ele pediu mil desculpas
Não consumar por sua culpa
O sonho da jovem esposa
Ele que era um cinquentão
Mas seu pobre coração
Em breve iria pra lousa

E Ana cuidava de Zeca
Como cuidava de si
O rei do Sertão agreste,
Do Brejo e do Cariri
Viu nela um anjo cuidando
E a ela estava amando
Com toda aquela lindeza
Que lhe trazia papinha
E do jardim a cozinha
Reinava a sua beleza

Mas Ana queria mais
Apressar seu passamento
Três anos eram demais
Começou doce tormento
Um dia Zeca a chamou
E ela se apresentou
Pra ele só de calcinha
Foi bomba no coração
E ele agarrou-se ao balão
De oxigênio que tinha

E ela disse: Meu amor
Sou assim, sua todinha!
E Zeca chupando o gás
E o oxigênio não vinha
E ela o beijou no rosto
E ele se encheu de desgosto
Sem revelar seu desejo
E ela ali se vestiu
E nessa hora ele viu
O perigo que é um beijo

E Ana aumentando a dose
Procurando algo no chão
Fazia de quatro pés
E haja dor no coração
Zeca quase a se acabar
E ela tudo a mostrar
Na minissaia curtinha
Às vezes de topless
E os peitos no sobe e desce
Quase matando Zequinha

Um dia ela veio nua
Surpreender o marido
Como um cavalo de índio
Seu olhar verde e enxerido
Sentou no colo de Zeca
Ele soltou a peteca
Do passamento que deu
Só acordou no outro dia
E por trás ela sorria
- “Quase que aconteceu!”

E assim foi o tormento
Agarrado no balão
De Oxigênio no máximo
Pra manter o coração
Mas Ana Rosa malvada
Sempre estava preparada
Para lhe surpreender
E a bicha era tão bonita
Que sua alma estava aflita
Pedindo até pra morrer

Um dia seu médico Charles
Chegou lá de supetão
E disse: Nós conseguimos
O seu novo coração
Colocaram Zeca e Ana
Numa UTI bacana
Que também é avião
Que logo depois seguia
Pra fazer a cirurgia
Transplantando o coração

A operação foi sucesso
Para desgosto de Ana
Diz Charles: É de um atleta
Que morreu esta semana
Sofreu trágico acidente
Com o coração excelente
Você vai ter vida em prosa!
Zeca não pensava em nada
Somente olhava a danada
Da sua esposa Ana Rosa

E foram remédios tantos
Com direito a quarentena
Mas na cabeça de Zeca
Só vinha a linda morena
A nudez daquele dia
O fez sentir a magia
Do coração de atleta
Mas sentia em Ana Rosa
Esvair-se verso e prosa
E foi ficando incompleta

E quanto mais melhorava
Mais Ana entristecia
E ele dizia: - Olha amor
Como a vida renascia
Fique feliz meu pitéu
Que a nossa lua de mel
Eu sonho em comemorar
Pois um coração que ama
Só sai de cima da cama
Quando a vontade passar

E ele já não aguentava
pois quando o povo saia
Ele pegava Ana Rosa
E as carícias que fazia
Beijava a linda na boca
E já com a cuca louca
Ela mandava parar:
- Amor o seu coração
Não está curado não
E pode tudo estragar!

Ana Rosa provocante
Logo logo se acalmou
Pois viu nele um jegue errante
O seu leão se soltou
Da jaula e até da corrente
E agora daqui pra frente
Nem sabia do final
Resolveu aguentar
Pra ninguém desconfiar
Do seu plano marginal

Faltando só quatro dias
O médico lhe liberou
E ao chegar no hotel
Zequinha já deu seu show
O seu problema real
Era maior que o normal
Na carência era Zecão
No começo delicado
Que ela viu seu estado
E agradou seu coração

Mas o problema de Zeca
Era igual ao cachaceiro
Se bebesse uma bicada
Se soltava o mês inteiro
Zeca era um compulsivo
Enquanto estivesse vivo
Era um ativo voraz
Seus olhares de suspiros
Babando feito vampiros
Como o jegue de DaPaz

O tirinete foi grande
E ela ficou destruída
Para ele ela era um parque
De diversão na subida
Quando esse cabra descia
Quase arrancava a polia
Com sua força abissal
E Ana pagou o boleto
Da ganancia em branco e preto
Naquele reino infernal

Era da cama pra sala,
Da sala para o sofá,
Do sofá para o banheiro,
Era pra lá e pra cá
Zeca morrendo de sede
Só no balanço da rede
Quebrando santo no andor
E ela pedia parada
E ele de alma obcecada:
- Meu amor eu quero amor!

Ana pode conhecer
Cada cerâmica que havia
Naquela bela suíte
Subia e depois descia
E aquele olhar de Zequinha
Da raposa pra galinha
Era de intimidar
E o Brasil de norte a sul
Na fama do Barba Azul
Ana pode comprovar

Graças a Deus chega o dia
De pegarem o avião
O corpo dela doía
Do litoral ao sertão
E Zequinha aperrado
Pra novo tarrabufado
Com sua linda Ana Rosa
Assim a moça aprendeu
Desde o dia que nasceu
Sua ambição pavorosa

O preço que Ana Rosa
Pagou com sua ambição
Foi tão grande e poderoso
Que esqueceu o bilhão
Então mal desembarcou
Disse: Zequinha acabou!
Quero a separação
Zequinha ali concordou
Mas sua fama aumentou
E até hoje ele reinou
O Barba Azul do Sertão!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

FELIZ NOVO EU



FELIZ ANO “NOVO EU”
Merlânio Maia

Ano Novo, nova chance
Vida nova, novo plano
Que tal ser um novo eu
A partir do novo ano?
Novo eu nas atitudes
Um novo eu nas virtudes
Novo eu que fez e faz
Que mesmo num ano ruim
Este novo eu em mim
Produz Amor, Luz e Paz!

Novo eu nos sentimentos
Novo eu nas emoções
Novo eu no entendimento
Novo eu nas relações
Novo eu do Autoamor
Novo eu empreendedor
Comprometido bem mais
Novo eu cheio de fé
Que cai mas ergue que em pé
Produz Amor, luz e paz!

Um novo eu na família
Novo eu de bom humor
Novo eu que sempre brilha
Novo eu encantador
Um novo eu que acredita
Novo eu de alma bonita
Novo eu que satisfaz
Novo eu de alma sã
Novo eu do amanhã
Cheio de amor, luz e paz

Novo eu empoderado
Não liga o que o povo diz
Novo eu valorizado
Um novo eu mais feliz
Novo eu sem preconceito
Que respeita e tem respeito
Que sonha esse dom que traz
Novo eu de vida leve
Novo eu que a sina escreve
Cheio de amor luz e paz

Novo eu do Ano Novo
Novo eu da vida nova
Novo eu que encanta o povo
Novo eu a qualquer prova
O velho eu está morrendo
O novo eu está nascendo
Com a mais potente raiz
Rompendo o mal e o breu
No ano novo meu e seu
Que venha este novo eu
Pra vida ser mais feliz!

Feliz Novo Eu pra você também, Meuzamô!

sábado, 29 de dezembro de 2018

POEMA À LUZ DO NATAL


POEMA À LUZ DO NATAL
Autor: Merlânio Maia

Quando o menino Jesus
Nasceu criando o Natal
Trouxe o Amor, a Paz, a Luz
E a Esperança afinal
Por conta do aniversário
Até mesmo o calendário
Daquele tempo mudou
Pra antes e após o Cristo
Foi um dia jamais visto
Que ao mundo iluminou

Naquele mundo de guerra,
De desamor e discórdia
Sua presença descerra
União, Paz e concórdia
Sua voz ecoa ainda
De uma forma tão linda
Convidando-nos também,
Ao amor ao semelhante,
Ao altruísmo constante,
À humildade e ao Bem!

Mas vemos que o Natal
Hoje é hino ao consumismo
Comercializa o ideal
Mais santo do humanismo
Tal qual Torre de Babel
Troca Jesus por Noel
Num comércio de ilusão,
De comida e embriaguez
E a família perde a vez,
Perde a paz, perde a razão!

Reflitamos um momento
De onde vem o Natal?
Natal representa o evento
Do mais sublime ideal
Pois que ali nasceu Jesus
Trouxe para a Terra a luz
Da pura fraternidade
De Amor, de Paz e alegria,
Perdão, amparo, poesia
E fé na humanidade!

Então que seja este dia
De fato o raro Natal
Onde floresça a magia
De reencontro, afinal
O Senhor da Luz nasceu
E o exemplo que nos deu
Foi a estrada da união
Que a Manjedoura Dourada
Brilhe e seja festejada
Bem no nosso coração!

#FelizNatal! #BoasFestas #Feliz2016

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Créditos do quadro: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1366139396861722&set=a.128643923944615&type=3&theater

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O FUXICO

O fuxico é do mal, currixiado
Mexerico onde a tal maldade reina
É a mentira espalhando o seu reinado
É a calúnia que próprio diabo treina
Coração feito breu enegrecido
Toda maledicência é sem sentido
Faz o fel amargoso retornar
Quem semeia este vento há de colher
Tempestade há de devastar seu ser
Onde o mal para sempre irá morar!
(Merlânio Maia)

terça-feira, 20 de novembro de 2018

O LIXO DO PRECONCEITO


O LIXO DO PRECONCEITO
Merlanio Maia

Enterre o seu preconceito
Cor da pele não define
Nem diminui o sujeito
Nos somos humanidade
Vê que imbecilidade
A segregação de cor
Fazendo os iguais humanos
Diferentes em seus planos
Semeando o desamor

A triste realidade
É que jovens vem morrendo
Por ter sua pele escura
Perseguição ocorrendo
Sequer oportunidade
Nos empregos de verdade
Os negros e negras têm
Que sociedade horrível
De preconceito terrível
Distanciada do bem

Em tempos bem avançados
Desta tecnologia
Quem aqui pode afirmar
Da pureza da etnia?
Depois de tanta mistura
Quem pode alegar ser pura
Sua raça? E mesmo assim
Ninguém pode segregar,
Perseguir, prejudicar
Pela cor, seria o fim!

Nós somos esses humanos
Temos que ter consciência
Da igualdade da raça
Da etnia e da decência
Para que nos amanhãs
Nossas almas sejam sãs
Sem crueldade ou defeito
Que despertemos agora
Jogando esse lixo fora
Que chamamos PRECONCEITO!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

MAIORIA E O BOM SENSO

por Merlânio Maia

O candidato eleito no Brasil, afirmou encolerizado em um dos seus vídeos de campanha, que vai governar para as maiorias e que as minorias que se adaptem.

Quanta tolice! O filósofo dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues, dizia com propriedade que toda unanimidade é burra. E é! Quando a maioria grita, perde o raciocínio e os prejuízos são imensos.

É preciso alguém use o bom senso e não deixe que a manada caia no abismo. Nunca foi tão urgente o uso do bom senso.

A História está cheia de exemplos deste tipo.

A maioria alemã estava com Hitler e por falta de alguém que usasse a razão, caíram no imenso abismo, e até hoje, amargam o triste Holocausto.

A escravidão era legal no Brasil, aceita pela maioria e até hoje amargamos a segregação da cor e somos um dos países mais preconceituosos do planeta.

A maioria mandou Jesus para a cruz.

A maioria já fez duas grandes guerras mundiais.

Em nome da maioria já se deflagrou guerras estúpidas, levando à morte milhões de inocentes; nesse mesmo sentido se criou leis e se fez cruzadas santas para matar, roubar e vilipendiar povos e nações no mundo inteiro e, pasmem, usando o nome do Príncipe da Paz, Jesus de Nazaré.

Então sigamos o norte da Paz absoluta. E dentro e fora do país, esta Paz seja o norte de um novo tempo.

Que possamos fazer um planeta irmão, onde todos sejamos complementos uns dos outros e a maioria e a minoria possam dar as mãos para pensar e fazer.

Onde aquilo que nos sobra seja compartilhado com quem não tem de forma justa e ilimitada.

Que nossa bandeira seja a Liberdade, Igualdade, Fraternidade, mas sem esquecer de incluir a DIGNIDADE e a HUMANIDADE para com todos!
Merlanio Maia