quarta-feira, 2 de novembro de 2016

POR ISSO EU SOU CANTADOR

POR ISSO EU SOU CANTADOR
Merlanio Maia

Eu sou do pó das estrelas
Como o é minha irmã terra
Sou a mistura das eras
Sou da idade da serra
Esse Sol que hoje me beija
Conhece bem a peleja
De quem aprendeu o amor
Eu sou perfume que o vento
Carrega em si como alento
Por isso eu sou Cantador

Sou força das cataratas
Sou o estrondo do trovão
Sou a descarga do raio
Que ilumina o céu e o chão
Sou o rio incandescente
Do vulcão que ao continente
Remodela em seu calor
Sou rigor e sou beleza
Sou força da natureza
Por isso eu sou Cantador

Sou a chuva salvadora
Que derrama devagar
Sou a terra intumescida
Que faz a vida brotar
Sou húmus, sou biosfera
Que explode na primavera
Irrompendo em vida e cor
Sou cada fruta madura
Que faz completa a natura
Por isso eu sou cantador

Sou o colorido da vida
Sou vontade de viver
Sou a ternura da mãe
Olhando o filho ao nascer
Sou o perfume que a rosa
Espalhou deliciosa
Para exibir seu frescor
Sou o orvalho no sertão
Sou da fauna e flora irmão
Por isso eu sou Cantador

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

DEUS ME PROTEJA

DEUS ME PROTEJA
Pegando carona nos versos de Chico César...

Deus me proteja de mim
E do mal de gente boa
Do bem da pessoa ruim
Da obra do povo à toa
Deus me livre dos livrados
Do passado em meus passados
E dos santos orgulhosos
Deus me livre aqui e além
Do mal de fazer o bem
Pra inveja dos invejosos!
(Merlanio Maia)

VINDE OUTUBRO

VINDE OUTUBRO
MerlânioMaia

Outubro, meu mês medonho
Se apeie e pode chegar
Venha repleto de sonho
Entre sem se apresentar
Mês forte, seja bem vindo
Abra o calendário rindo
Pois eu hoje peço à "bença"
Traga aos tristes a alegria
E aos descrentes a magia
Da fé que transcende a crença

Meu outubro guardador
Aqui cheguei nos teus braços
Nasci no teu esplendor
Descendente dos espaços
Ainda era primavera
Quando acabei com a espera
Da minha mãe, doce Helena,
E Outubro nos fez bonança
Para mim és a esperança
De um sonho que vale a pena

Então chegue bem chegado
Que o teu Sol me encha de luz
Vinde mês abençoado
Teu poema me conduz
Pode até deitar na rede
Meter o pé na parede
E exalar o teu calor
Outubro de tanta glória,
De experiência e vitória
Outubro meu mês do amor!
(MerlânioMaia)

MINHA LEI ELEITORAL


MINHA LEI ELEITORAL
Merlânio Maia

Nesse tempo de eleição
O que tem de gente ruim
Abre-se o inferno e o cão
Candidata os “coisa-ruim”
Lá vem de mão estirada
Parece cego na estrada
Pedindo seus votos e os meus
Cada um diz ser melhor
Que seu preparo é maior
Beijando crentes e ateus

Bota menino no braço,
Emburaca na cozinha,
Come sobejo de ontem,
Chupa até pé de galinha,
Dá beijo em véia caduca,
Bebe água de cumbuca,
Reza com crente e devoto,
Limpa bunda de criança,
E corrompe na esperança
De conquistar mais um voto

Pois bem, que fique bem claro
Não reelejo safado
Se depender de meu voto
Político come apertado
Antes de votar pesquiso
Excluo o que for preciso
Os “mala” e a ruma de herdeiro
Bandido eu boto pra fora,
Profissional caipora
Vai baixar noutro terreiro!

Não voto nos nomes sujos,
Nem quem usa a religião,
Nem nos que esquecem do povo
Quando passa a eleição,
Parentesco na política
É uma herança triste e crítica
Não voto e ainda esclareço
Só voto em quem tem história
E eu tenho boa memória
Que o meu voto não tem preço!

Depois de pesquisar muito
Eu voto e fico de olho
Se ele pisar na bola
Coloque as barbas de molho
Que na próxima eleição
Eu o entregarei ao cão
Voto contra e meto o pau
Ou cumpre com o seu dever
Ou meu voto não vai ter
Eis minha lei eleitoral!
(MerlânioMaia)

POLÍTICA COM ELEIÇÃO

Uma dica limpa e pura
Em tempos de eleição
Nunca vote em quem mistura
Política com religião!
(MerlânioMaia)

A VOLTA DE PARAFUSO



A VOLTA DE PARAFUSO
Merlânio Maia
(Poema feito no dia da morte de Parafuso fundador dos Três do Nordeste, com muita saudade do amigo que seguia)

Parafuso deu um breque
Na batida do Forró
Quando escutou a sanfona
Naquele acorde de Dó
Era um convite primeiro
Chamando este zabumbeiro
Com seu talento inconteste
Pra formar com Zé Cacau,
Zé Pacheco o original
E único TRÊS DO NORDESTE!

Lá no Céu viu Gonzagão
No seu Baião peneirando,
Dominguinhos, Camarão
Junto a Marinês cantando
E até o Trio Nordestino
Fazia um coro divino
Nesta comemoração
A sanfona ria mole
E Arlindo no seu fole
Tocava um viva a São João

Mestre Jackson do Pandeiro
Com Sivuca sincopava
E entrou Jacinto Silva
Que na peleja encantava
Nessa hora também chegou
Este zabumbeiro-show
Trazido por São Beluzo
Zé Pacheco e Zé Cacau
Levantaram a um sinal
Pra receber Parafuso

Seu Januário contente,
João do Vale e Zé Gonzaga,
E Manezinho Araújo,
Com Patativa rimava,
Abdias, Gordurinha,
Pedro Sertanejo vinha
Com a sanfona de luz
E Seu Luiz conduzia
Sua linda Ave Maria
Que nosso Sertão traduz

São Pedro com Santo Antonio
A São João se chegaram
E vieram dar um abraço
No músico que convidaram
Da zabumba fez-se uso
E disseram: “Parafuso
Aqui ninguém fica só
E a música de raiz
Mostrou que o Céu é feliz
Na batida do Forró

Os santos de tão contentes
Dançavam com alegria
E o Forró era um presente
De música e de poesia
De Deus, o Senhor perfeito
Que fez Parafuso eleito
Quando no Céu foi incluso
E o poeta menestrel
Sonhou que estava no Céu
E registrou no papel
A volta de Parafuso!
#MerlanioPoeta

DA BOCA PRA FORA



Singane não, Cabavéi! Honestidade é irmã siamesa da verdade e da fidelidade que anda com a justiça permanentemente.

Então sobre essa tua fala: "EU SOU HONESTO!" da boca pra fora, prefiro mesmo o forró de Antonio Barros e Cecéu: QUANDO EU DIGO QUE NÃO TE QUERO, É DA BOCA PRA FORA...

ANTE A MORTE


Sentindo a proximidade da morte, ele disse que se arrependia terrivelmente de não ter se dedicado tanto aos que mais amava; que seria mais feliz se pudesse ter reunido os seus amigos verdadeiros, que eram tão poucos. E que faria de tudo para se despedir daqueles que amou na vida.

Ainda me falou que saber que amou e foi amado, que perdoou e foi perdoado eram os únicos valores que importavam naquele momento.

Se tivesse mais tempo, investiria tudo nesses valores reais.

E se foi!

Depois disso, mudei meu modo de pensar a vida. Mudei meus valores e minhas metas. Há coisas que importam muito mais para se levar no coração.
MM

PARABÉNS, CAMPINA GRANDE

Parabéns, Campina Grande
Rainha da Borborema
Berço da nossa cultura
És mote, és verso e és poema,
És Música e és a cidade
Que inventa prosperidade
Lugar de tanto esplendor
Cento e cinquenta e dois anos
De orgulho aos paraibanos
Mulher macho sim Sinhô!
(#MerlânioMaia)

POEMA HOMENAGEM AO PROFESSOR



POEMA HOMENAGEM AO PROFESSOR
Merlanio Maia

Meu professor, meu amigo,
Minha eterna gratidão
Cada palavra gravada
Desaguou no coração

Tantas vezes debruçado
Sobre minha ignorância
De paciência dotado
Desbravava a minha infância

Me indicastes o caminho
Que eu precisava trilhar
Nunca me senti sozinho
Na viagem do educar

Por tantas vezes notares
As minhas limitações
E ali pacientemente
Repetias as lições

Buscavas muitas maneiras
De levar o ensinamento
Minhas asas voadeiras
Direcionastes ao vento

Se hoje vivo de sonhos
Se tenho a alma completa
Se meus dias são risonhos
Tu me fizestes poeta

Por isso reverencio
Entre silêncios e sons
Do mestre que em meu vazio
Me respondia as questões

Se vejo que no momento
Faltam o devido respeito
O salário é um desalento
Me oprime a dor no peito

Pois que mereces de tudo
Pois tudo merecerias
Sem teu o sonho de estudo
O poeta não existia

Minha poesia é pequena
Diante de tão grande ser
Que sonha e reproduz sonhos
No ensinar e aprender

Meu mestre, meu professor
Querido amigo da luz
Que rompe a treva e a dor
E o saber em nós conduz

Que tuas noites e teus dias
Sejam repletos de amor
De gratidão e alegrias
Meu amado Professor!
(MerlânioMaia)

SOBRE MEU ANIVERSÁRIO



Meu amigo, minha amiga,
Você que teve o cuidado,
Teve o zelo e o carinho
De ter se manifestado
Colocando um relicário
De amor neste aniversário
Do poeta e Cantador
Quantas mensagens tocantes
Que muito mais do que antes
Sinto-me cheio de amor

Não nego que até chorei
Pois sou frouxo pra chorar
Mas as expressões de amor
Lavaram-me nesse mar
Mar de amor tão intenso
Que até nessa hora penso
Que não sou merecedor
Me encho de gratidão
E agradeço a expressão
Sinto-me cheio de amor!

Então agradeço em verso
Minha linguagem mais pura
Viajante do Universo
Condutor de uma cultura
Que Deus deu por caridade
Sou irmão de humanidade
Gratíssimo por teu calor
Muitas graças minha gente
Sou devedor penitente
Cantador que de repente
Sinto-me cheio de amor!
(Merlânio Maia)

TEMPO PRESENTE

O passado passou, mas passou passando mesmo. Um décimo de segundo depois já foi. Passou de tal forma que não se tem mais acesso àquela fração que se foi.

O próximo segundo, ainda não é. Se ainda não é não se tem acesso é futuro. O futuro ainda será e também não se pode ter acesso.
Somente se tem acesso ao presente. Ah! O presente! Essa fração mágica de tempo que transforma o futuro em passado imediatamente, mas é nele que a vida acontece.
Use bem esse momento mágico e faça a vida valer a pena. Esquecendo o passado que passou e sem jogar nada para o futuro que ainda não aconteceu.
Viva o agora e seja feliz!
Bom "dia todo"!
MM

REAL SENTIDO DO AMOR

Palavras não explicarão o real sentido do amor. O amor paira acima do desejo, vive muito além do prazer, transcende nossas necessidades.

Já imaginaram a alegria de um pai que pode doar um órgão vital ao seu filho? Ou a mãe que troca a sua saúde para que seu rebento tenha alguns segundos de alegria?

Qual mãe e pai afetuosos que, com prazer, não trocariam de lugar com o filho portador de câncer, para morrer em paz absoluta?

Somente o amor é capaz de tais maravilhas!

Por isso não há palavras que justifique estas "loucuras" feitas em nome do amor.

MM

terça-feira, 6 de setembro de 2016

MORTE E VIDA



Merlânio Maia

Eu acho a vida na Terra
Tão incrivelmente linda
Que dói na alma a certeza
De saber que ela se finda
Dói demais esta verdade
De data de validade
Impressa desde o nascer
Cada segundo passando
O fim vai se aproximando
E este corpo vai morrer

É uma grande aventura
Viver pra morte malvada
Como pode? Tanta luta
Para desaguar no nada!
Assim entre a morte e a vida
Busca-se outra saída
Que mate a morte de vez
Em tudo há prova que o nada
É a matéria transformada
Nada é pura insensatez

No turbilhão da questão
Vem a resposta incontida
Quem nasce na terra morre
Noutra dimensão da vida
Esta certeza é tão forte
Morte é vida e vida é morte
Nem mesmo o corpo perece
Decompõe noutras matérias
Células, vírus, bactérias...
Outro mundo lá acontece

Então tudo se transforma
Tanta vida em profusão
O corpo não morre ocorre
Grande decomposição
É a vida que aproveita
Gerando outra receita
Da vida no transformar
Então quem morre é a morte
Pois a vida é muito forte
E há que se perpetuar

E quanto à inteligência
Que habitava o corpo morto
Esta sim, sai transformada
Noutra terra, noutro porto
A fé produz a esperança
Este ser que ali se lança
Nasce em outra dimensão
Nos ambientes astrais
De mundos espirituais
Espaços da criação

Pra sempre conectados
Pelas leis da vida eterna
Como ancestrais de nós mesmos
Na sociedade fraterna
Os santos, anjos e guias
São aqueles que outros dias
Viveram de morte e dor
Mas a si mesmo venceram
Evoluíram, cresceram
Despertando em si o amor!