sexta-feira, 29 de março de 2019

O LUCRO

O LUCRO

Insensato! Esta noite exigir-te-ão a alma e as coisas que acumulaste, de quem serão? (Jesus – Lc 12:21)

Os dias em que vivemos são, indubitavelmente, dias de provar os valores e as verdades frente à vida.

O mercado vem ditando as normas desde os tempos de escambo, mas recrudesceu de tal forma nos dias de hoje, que o mundo perdeu o sentido mais óbvio de humanidade, desumanizando-se priorizando o lucro e o enriquecimento sem lógica ou pudor.

Os governos seguem a mesma onda egoísta de obedecer os grandes financistas e o ser humano vale menos que qualquer lucro.

A palavra adorada pelas organizações e pregada pelos coaching em todos os recantos é resiliência. E os candidatos a uma rara vaga de trabalho devem repetir esta palavra para serem aceitos: Sim, sou resiliente! Mas o que será isso? Diz-nos o dicionários que pe a propriedade que tem alguns corpos de voltarem rapidamente à forma anterior depois de submetidos a alguma deformação por elasticidade, coisa de metais e plásticos.

Quando esse indivíduo consegue o emprego para trabalhar e sustentar sua família, a organização lhe diz que nada é mais importante que a empresa. Precisa dedicar-se 24 horas por dia, sete dias por semana, 48 semana por ano. E ser resiliente.

Daqui a alguns dias ele estará comemorando com a esposa: Abrimos uma filial no amazonas, outra em Porto Alegre. E já se sente parte da empresa que somente deseja o lucro e o absorve completamente.

Outro dia, aqui na nossa cidade, uma fábrica de cerveja se deparou com o seguinte problema: Um vendedor de um bairro,

invadiu o bairro do outro vendedor e vendeu, da mesma empresa, caixas de cerveja para botecos naquele outro bairro. Para a “ética” interna isso é proibido. O vendedor prejudicado ao saber disso, foi atrás do invasor e aplicou-lhe golpes de Jiu Jitsu o deixando internado no Hospital. Na empresa, o Gerente dos dois os convocou e disse:

- Absolutamente não queremos isso aqui na empresa. Mas vamos dar um bônus de R$ 2000,00 ao campeão de Jiu Jitsu por ter defendido sua área.

Moral da história. Sangue nos olhos e faca na boca.

Um ano depois, me falou o contador da empresa, meu amigo, a empresa demitiu os dois pois esse trabalho estaria sendo automatizado por aplicativos.

Então vemos a desumanização dos humanos em troca de cifras e a pergunta de Jesus começa a ficar mais luminosa e em neon para todos verem. Para quem ficará o que acumulaste?

Se alguém tem como única razão de viver o trabalho, CUIDADO! Pois nesses dias de breu facilmente poderá perder a razão de viver por demissão, doença, rebaixamento, ou necessidade de mais lucrar da empresa. A organização quer resiliência sua, mas não a tem por você.

Talvez você tenha ficado preocupado ou deprimido e deve ficar sim. Mas faça como um dia fiz e disse a todos os meus gerentes em todas as empresas que trabalhei:

- Sim. Vou buscar o lucro da sua empresa, mas para ficar 24 horas à disposição esse ganho é irrisório. Assim vou me dedicar à empresa no horário da empresa, pois estar com meu filho rindo de suas descobertas infantis, levar e trazê-lo da escola, sair e ver a Lua com minha companheira, escrever poemas e me dedicar à minha crença, não tem preço.

O Banco me demitiu por ser espírita(Seita de satanás, me disse o gerente em 1988), o outro me demitiu por não aceitar propina e do último saí por não concordar em ser anti-ético como me solicitava presidente. Então me dediquei a Arte, que somente me pede amor e humanidade.

E asseverei que não sou resiliente ante a humanidade. Sou e serei sempre humano que cuida da alegria dos humanos como única possibilidade de salvação.

Então quando vejo esta parábola do rico ganancioso dá-me uma necessidade de escrever neste sentido.

Vamos viver como ensinou Jesus! Seguir Jesus é romper interna e externamente com os descaminhos de uma sociedade desumana ao extremo. Sociedade esta, que faz eua não vê o miserável da rua. Este mesmo miserável que Jesus chamava de “os filhos do calvário”!

Quando vejo que no Evangelho Segundo o Espiritismo, Lacordaire dizendo: Aquele que vem com a prova da riqueza é eleito por Deus como “ministro da caridade” do divino.

“Olvidais que, pela riqueza, vos revestistes do caráter sagrado de ministros da caridade na Terra, para serdes da aludida riqueza dispensadores inteligentes? Portanto, quando somente em vosso proveito usais do que se vos confiou, que sois, senão depositários infiéis? Que resulta desse esquecimento voluntário dos vossos deveres? A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao Amigo que vos favorecera e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.”

É uma realidade bem forte que não deveremos fechar os olhos e saltar no escuro, pois o abismo será bem maior que se espera.

E a questão continua: PARA QUEM FICARÁ?

Todos passaremos, pois a vida é uma viagem linda! Todos seguiremos aos espaços onde o dinheiro nada representa e é lá a vida real, então para que tanto apego, tanto orgulho se nada segue conosco?

Façamos a reflexão devida ante a pergunta que o Cristo nos endereça e sejamos sóbrios. Dedicando mais tempo aos afetos, ao trabalho do Bem, à família, maior bem que Deus nos deu, aos amigos, à caridade e a Paz.

Deixemos os mortos enterrarem seus mortos e seguirem o cheiro do dinheiro, fruto de fatigantes horas de faina nos ombros dos outros, para os escravos da matéria. Quanto a nós, busquemos o reino de Deus e todo o resto nos será dado por acréscimo da misericórdia.

Ou então tudo acima se repetirá.




Paz e Luz!




Merlânio Maia

quinta-feira, 21 de março de 2019

JÁ DIZIA ZÉ LIMEIRA

É o mundo pegando fogo
E um doido em cima gritando
O poder se esfacelando
E pra se manter no jogo
Vi galo cantar com gogo
Vi babão babar demais
Vi santarrão satanás
Vi vampiro com anemia
Vi juiz cego de guia
Com a braguilha pra trás

Vi quatro pintar o sete
Vi cinco dar meia sola
Vi tocador de viola
Juntar banana e chiclete
Viralata com cachete
Na noia vive de brisa
Saiu de barriga lisa
Perdeu tudo quanto tinha
Águia nunca foi galinha
Diz a Bíblia da Galiza

Nada há de escondido
Que não seja descoberto
Quem erra enganando o certo
Fará papel de bandido
Assunto mal resolvido
Quem tem resolva a tranqueira
Nunca caia na besteira
De fazer o outro de otário
Saia logo desse armário
Já dizia Zé Limeira!
Merlanio Maia

BOA NOITE MEUZAMÔ!

quarta-feira, 20 de março de 2019

QUANDO ESCURO EU CANTO LUZ

QUANDO ESCURO EU CANTO LUZ
Merlanio Maia

Em dias de ódio e intolerância, nós seremos aqueles que buscaremos levar a alegria do amor desarmado e a resistência deste amor que incomoda os maus.

O que eles fazem já tem publicidade suficiente para que todos vejam quem são e o que pensam.

Por isso, nossas postagens aqui, serão as de manter a alma clara e limpa, doce e pura, sem covardia. Não é alienação, mas decisão política pensada serenamente. É o AHIMSA que Gandhi usou para libertar a Índia.

Chega de dar luz aos maus!

Seremos a resistência em mostrar que o Bem resiste, mesmo que faça escuro, como dizia Thiago de Melo, poeta amazonense: FAZ ESCURO MAS EU CANTO!

Dar publicidade ao Bem e à Luz, nos dias de escuridão, é um ato político de resistência pazeante.

Como dizia meu Mestre: "SÓ LOBOS CAEM EM ARMADILHAS DE LOBOS!"

E QUE A LUZ TRAGA SEU LUME PRA NOS SALVAR, POIS SOMENTE O BEM NOS SALVARÁ!

AHIMSA será nossa luta sempre!

Merlanio Maia

terça-feira, 19 de março de 2019

REFLEXÃO SOBRE A PAZ CONSTRUÍDA

REFLEXÃO SOBRE A PAZ CONSTRUÍDA
por Merlanio Maia

Mahatma Gandhi exemplificava que a Paz

- não é cessar fogo, nem pausa entre guerras;
- não é ausência de conflitos;
- não é passividade, nem a tranquilidade deitada numa rede;
- não é a saúde estabelecida, mesmo que temporária;
- não é a sensação de segurança com armas e soldados.
A Paz é ação! Por isso a existência do verbo PAZEAR que está nos dicionários, esquecido de todos, que tem como significado: HARMONIZAR E ESTABELECER A PAZ de forma ativa.

A Paz é aprendida e ensinada. Não é, pois, a Paz que o mundo violento e guerreiro nos dá (Jesus), é a Paz construída.

Muitas vezes vai pregar a desobediência civil e ser a resistência pacífica da Não-violência ativa (AHIMSA), pois as leis nada querem dizer quando se está abusando e violentando legalmente o outro, como pudemos ver a escravidão, o aparthaid, a exploração das mulheres e até mesmo o Holocausto, que eram perfeitamente legais, mas desumanos ao extremo.

Assim, a desobediência civil, a fim de mudar as leis que ferem nossa humanidade é ação dos pazeadores e pacifistas.

Paz construída é a Paz mais perigosa e difícil, pois vai educar com a mansidão dos violentos, com a razão e o bom senso aos loucos e doutrinados, com o amor aos odientos, com o desprendimento aos gananciosos e com a alegria e esperança aos tristes e desesperados.

E ainda vai fazer respeitar todos os moradores do planeta, zelando pela vitalidade e pela saúde dda Terra-mãe.

Por isso eles: Buda, Sócrates, Jesus, Gandhi, Martin Luterking Jr., Chico Mendes, Dom Helder Câmara, Stevie Biko, Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Rondon, etc., viveram e foram perseguidos e até mortos por lutarem por esta paz construída.

E eles os enterraram, sem saber que estavam enterrando na Mãe-terra sementes. estes eram sementes de um novo mundo. E a semente quando enterrada, nasce e floresce e dão milhares e milhões de outras sementes que farão a diferença no mundo.

A minha Paz vos dou, mas não a dou como o mundo a dá!(Jesus)

sábado, 16 de março de 2019

AMOR E ÓDIO

AMOR E ÓDIO
Merlanio Maia

O Brasil que odiava
Não falava tinha medo
Tremia em ter seu enredo
Descoberto e disfarçava
Sua baba ele tomava
E do mundo escondia
Enquanto o amor luzia
Enquanto o amor se fez
O ódio não teve vez
E assim o país crescia

Mas um dia e há um dia
Em que o mal gritou do norte
Ai que ódio! Morte! Morte!
E soltou a fera fria
E o mundo naquele dia
Envolveu-se em treva e breu
E o ódio apareceu
No vizinho, no colega,
Na praça, rua e bodega
E a todos surpreendeu

Aquele grito do norte
Abriu os porões do mal
E todos viram afinal
Quem eram os faustos da morte
Desmascarou o consorte
E os tentáculos espalhou
Aos mais fracos doutrinou
Aos covardes, voz e vez
E o mundo na insensatez
Do mal se contaminou

E perseguiu minorias
Pois que o ódio é dos covardes
E a sanha de fogo arde
Mata Marieles, Lias,
Mata Amélias, Marias,
Mata negros, matas as gentes
Gay e Trans por diferentes
Em ações vis, cruéis, drásticas
E estendem suas suásticas
E as Klux das torpes mentes

Mas já vem a alvorada
E a luz rompe a treva e o breu
O amor no tempo seu
Com seus anjos sem adaga
Com a luz que nunca se apaga
Há de queimar os miasmas
Há de expulsar os fantasmas
Com coragem e com ardor
Com valentia e ardor
Despertando os corações
Banindo para os porões
O ódio e seus vibriões
Com a força viva do AMOR!

quinta-feira, 14 de março de 2019

A TRAGÉDIA DE SUZANO


A TRAGÉDIA DE SUZANO
Por Merlanio Maia

Ontem a dor veio atingir
O coração com tormento
Pois que dois sociopatas
Num arroubo vil violento
Deram curso a triste plano
Na cidade de Suzano
Em São Paulo no Brasil
Numa escola de crianças
Destruíram as esperanças
Matando em ação febril

Dez mortos e dez feridos
Os dois após suicidaram
Numa sanha violenta
Essa tragédia forjaram
E a dor a todos alcança
Num misto de insegurança
De impotência do estado
E fica a questão agora
O que fazer nesta hora
De desespero instaurado?

A questão toma outro corpo
Foi destino, acaso... o fato?
Será que armando o povo
Evita-se assassinato?
E dentro de todos nós
A lógica assume a voz
E mostra a ilusão e engano:
Desarmemos nossas almas
Nos eduquemos na calma
Que todos somos humanos

Não se pode apagar fogo
Com combustível inflamável
Se dois violentos se enfrentam
Sem armas é mais provável
Que se machuquem demais
Porém feririam mais
Com uma arma na mão
Violência e violência
Produzem a delinquência
Destroem qualquer nação

Gananciosos e maus
Iludem fracos e tolos
Mas a história dos humanos
Repete esse mal em rolos
Violência atrai violência
Precisa ter consciência
Viver o bem, bem vivido
Se fizer o mal espere
Pois quem com o ferro fere
Com o ferro será ferido

Que portemos muitos livros
Que ensinam a Paz do mundo
Viajando nas imagens
Desses poetas fecundos
Colecionar Cordéis
Cantar com os Menestréis
E amar o amor desarmado
Semear mais esperança
Amar o velho e a criança
Pra sermos pra sempre amados

Voltemos as nossas mentes
Às ações de educadores
Eduquemos desarmando
Enchendo as almas de amores
Com os valores da beleza
Respeitando a natureza
E amando a humanidade
Paz é ação construída
Há que respeitar a vida
Pra viver em sociedade

Há que respeitar o próximo
Somos seres diferentes
Em forma, em cor, pensamento
Gênero, sexo, crenças, mentes
Há que banir preconceito
E aceitar o outro do jeito
Que é ele em sua raiz
Desenvolver altruísmo
E acabar o egoísmo
Pra o mundo viver feliz

Por isso pedimos Paz
Mas uma paz desarmada
A Paz que não dá espaço
Pra violência forjada
Respeitar as minorias
E construir nossos dias
Melhorando o ser humano
Pra que nunca mais na Terra
Haja espaço para a guerra
NUNCA MAIS OUTRO SUZANO!





sexta-feira, 1 de março de 2019

LANÇAMENTO DO LIVRO CORAÇÃO DE BONECO DE LATA

Oi Meuzamô,

Na última terça-feira (26), lançamos nosso décimo quarto livro CORAÇÃO DE BONECO DE LATA, em João Pessoa, na USINA CULTURAL ENERGISA.

Foi uma noite de alegria, onde contamos as histórias, cantamos, gargalhamos e choramos de emoção com tudo que aconteceu naquele ambiente de cultura.

O livro CORAÇÃO DE BONECO DE LATA é um livro de memórias, tanto que o subtítulo já diz bem o que é: AS AVENTURAS DO AMOR NA PEDIATRIA DO HOSPITAL DE CÂNCER. Exatamente, pois estamos comemorando vinte anos de voluntariado na REDE FEMININA DE COMBATE AO CÂNCER e dezesseis anos da ONG DONOS DO AMANHÃ e é esse o exercício do amor que nos envolve e nos possibilita nos manter motivados, até hoje, em fazer tal trabalho com crianças entre zero e 150 anos.

O livro se encontra à venda pelo email: merlanio@gmail.com e pelo telefone (83) 999229660.

Deixaremos algumas fotos aqui para você saber bem o que aconteceu.










terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

CARNAVAL É ALEGRIA


CARNAVAL É ALEGRIA
Merlânio Maia

Cabavéi o Carnaval
Vem chegando por aí
Não me compreenda mal
Mas te peço por aqui
Vá devagar com a bebida
Curta a vida na medida
Mas cuidado com a porfia
Pois quem abusa da sorte
Pode se encontrar com a morte
Carnaval alegria

Quando chega o carnaval
Tem gente que estraga a vida
Sai como um desesperado
Sem limite nem medida
Dirigindo embriagado
Se tornando um enjoado
Soltando sua energia
De perturbador da vez
Pare dessa estupidez
Carnaval é alegria

Outros pulam feito doidos
Fugidos de um hospício
Pintam a boca e requebram
Sem respeitar outro ofício
Acham que têm o direito
De abusar do preceito
De estarem nessa folia
Agridem LGBTs
Saiam do armário de vez
Que Carnaval é alegria

Evite essa violência
Seja o folião da Paz
Seja a foliã contente
Que já tem ódio demais
Mude a música mude o tom
Acabe o mal desse som
Que amanhã é outro dia
Não queira se arrepender
Que o amor possa nascer
Carnaval é alegria!

Não sou contra o Carnaval
Não sou contra o folião
Que brinca mas com respeito
Que se mantém cidadão
Não joga lixo na rua
Brinca, bebe e segue a sua
Vibe de paz e alegria
Esse curte e o carnaval
Como o folião real
Carnaval é alegria!

Se for beber não dirija
Para não ser dirigido
Pra prisão ou pro hospital
Ou até ser digerido
Se dirigindo pro além
Lembre: sempre tem alguém
Querendo sua harmonia
Deixe o carro para quem
Não bebe e segue no bem
Carnaval é alegria!

 Vá viva e deixe viver
Respeite o velho e a criança
Respeite toda mulher
Respeite quem brinca e dança
Se a moça lhe disser não
Não é não, preste atenção
Não bote o mal na folia
Respeito é bom e é legal
Viva o bem, esqueça o mal
Carnaval é alegria!


QUE FAZ TU DOS TEMPOS TEUS

QUE FAZ TU DOS TEMPOS TEUS?
Merlânio Maia

Era ainda madrugada
E um anjo me visitou
Na escuridão da alvorada
Meu quarto se iluminou
E ele pegou minha mão
Fora do meu corpo então
Subimos pra imensidão
Voamos sobre a cidade
Vi dali o sol nascendo
Em mim algo ia dizendo
Esta é a vida de verdade

E não paramos um momento
Que ele subia ainda mais
E vi todo o continente
E o oceano de paz
De longe a Terra era um lar
E o sistema solar
Como parte dos arcanos
E dentro de mim a voz:
- Vê que a vida é tão veloz
O que fazes dos teus anos?

E o jovem anjo seguia
Segurado em minha mão
Vi imensidão de estrelas
Comoveu meu coração
Com seus sóis multicolores
Esplendia brilho e amores
E a Via Láctea se fez
A emoção me tomou
E algo em meu ser gritou:
- O que fazes do teu mês?

E o anjo mais mergulhava
Onde a imensidão conduz
E outros mundos e galáxias
Imensos de imensa luz
E cores e paz e amor
Senti gratidão e amor
Por Deus em tudo o que via
Compaixão, fraternidade
Agora a voz me invade:
- Que faze tu do teu dia?

Agora o choro me pega
Que era tudo tão bonito
Que vale orgulho e egoísmo
Ante Deus e o infinito?
De que vale a vaidade
Personalismo e maldade
Ante a imensidão lá fora?
E a magia me tomava
E aquela voz me falava:
Que fazes das tuas horas?

Vi sóis, Meuzamô, eu vi
Vi luas além da Terra
Foi tanto o amor que senti
Tudo Deus impera e encerra
Além de outras dimensões
Moradas de imensidões
De Deus tão perfeitos frutos
De infinitas emoções
E a voz em meus botões:
- Que fazes dos teus minutos?

Saímos do mundo das formas
E entramos noutros planos
Do micro ao macrocosmo
Dimensões de outros humanos
E o sentimento de amor
Me tomava com um ardor
E em mim desejos profundos
De sempre fazer o bem
E outra questão me vem:
- Que fazes dos teus segundos?

De tanto de Deus que vi
Dessas emoções sem par
Não suportei apaguei
E acordei no meu lar
Vi que a vida imensa é
Despertei cheio de fé
Que tudo pertence a Deus
E agora vivo a contar
As histórias de encantar
E as cantigas de cantar
Que faz tu dos tempos teus?

domingo, 13 de janeiro de 2019

O GOLPE DE ANA ROSA NO BARBA AZUL DO SERTÃO


Autor: Merlânio Maia

Quem de fato tem juízo
Não vai dar trela a mentira
Nem bulir com o egoísmo
Nem com orgulho, ou a ira
Mas um dos grandes defeitos
Que acontece aos eleitos
É a ganância e a ambição
Que esta ajunta todo vício
E joga no precipício
Todo incauto sem perdão

Pois bem, hoje conto a história
Do Barba Azul do Sertão
Foi Zeca de Chico Zuca
Nasceu pra sedução
Aonde mulher passasse
Ou que com ele cruzasse
Ele já atocaiava
Com a conversa maneira
Abrindo certa clareira
Seduzia e abocanhava

Mas nada sério queria
Era rico o afamado
Herdara do Chico Zuca
Muita riqueza e guardado
Muita terra e gado manso
Seus Neloris um avanço
De prêmios ganhou milhões
E sozinho triplicou
A fortuna que ganhou
Tinha tino pra cifrões

Tinha rede de farmácias,
Rede de supermercados,
Distribuidoras mil
Nesse nordeste sagrado
Mil postos de gasolina
De Formosa até Campina
Seu gado andava em suas terras
E ele mais se expandia
Pro Sul, Sudeste e seguia
Pois riqueza nunca encerra

Tinha fazenda no Acre,
Rondonia e no Pará
Criava Búfalo no Norte
Que infestava o Amapá
Minas de ouro e de prata,
Muito dinheiro na lata,
No banco e na consciência
Mas sem sorte com mulher
As seduzia e sequer
Tinha depois paciência

Coisa de admirar
Aonde Zeca punha a mão
Virava lucro e dinheiro
Era o Midas do Sertão
Mas o dinheiro somente
Deixa o cabra diferente
E dinheiro sem saúde
Não serve mais para nada
E o cabra segue a jornada
Mudando de atitude

Foi o caso de seu Zeca
O coração deu-lhe um tranco
Que quase que ele vai
Morar sob o túmulo branco
Mas conseguiu se salvar
E o médico foi lhe falar
Nesse dia torturante:
- É Zeca seu coração
Não tá prestando mais não
Agora só no transplante!

Ele então desesperou
Pois não tinha nem herdeiro
Pai e mãe já se passou
Seus filhos eram dinheiro
Mas Dr. Charles num instante
Disse: A fila de transplante
Já tem seu nome na espera
Peça a ajuda ao Pai do Céu
Que é dele esse papel
Pra lhe manter cá na esfera

Quem foi Zequinha na vida
Começou sentir saudade
Das mil e uma mulheres
Das farras em mil cidades
O Barba Azul do Sertão
Caiu numa solidão
Chega dá pena falar
Tanto bem acumulado
Para tudo quanto é lado
E a morte no calcanhar

Mas a vida dá mil voltas!
Na cidade de Formosa
Onde morava Zequinha
Também vivia Ana Rosa
No auge dos vinte anos
Com tanta ambição nos planos
Não suportava a pobreza
Soube daquela tragédia
E resolveu fazer média
Buscando ganhar nobreza

Passou a ir à Igreja
Na missa que Zeca ia
Ajudava ao Padre João
Cantava na liturgia
Fazia todo dever
Tudo pra Zeca lhe ver
Como se vê uma santa
E o padre já admirava
A irmã que ali chegava
Pra tarefa que era tanta

Era lindo aquele ser
De coração venenoso
O corpo era uma viola
Tinha os cabelos sedosos
Seios fartos, pele lisa,
Boca carnuda e precisa
Pescoço esguio e bem feito,
Cintura fina e o bumbum
Feitiço pra qualquer um
Perder compostura e jeito

A Igreja enchia de jovens
Na missa que Ana ia
Ficava gente lá fora
Na hora da liturgia
E Ana fazia a leitura
Da Igreja à Prefeitura
Enchia de gente em frente
Os maridos pra espiar
E as mulheres pra brigar
Por causa daquela crente

Por onde Ana passava
Os homens se perturbavam
O padre e até as beatas
Junto a ela ruborizavam
Mas Padre João muito atento
Disse: - Arrume um casamento
Você nasceu para o lar.
E Ana Rosa tão discreta
Com a armadilha completa
E o plano a funcionar

Um dia confessa ao Padre:
- Sinto tanta compaixão
Pelo caso de seu Zeca
É quase amor, Padre João!
E o padre caiu na treta
E foi tocar a retreta
Pra Zequinha em cor de giz:
- Não há esposa melhor
Nem com o coração maior
Case e seja bem feliz!

Zeca nem acreditou:
- Padre e se for armação?
O Padre disse: Não é!
Case com separação
De bens e depois verá
Ponho a mão no fogo já
Velará por noite e dia
Você está vivendo a esmo
Já que não tem ninguém mesmo
Viverão de alegria

Zeca com o coração fraco
Quase em dias de morrer
Resolveu casar com Ana
Se ela aceitasse viver
Sem festa, ou sociedade
Sem nem sair da cidade
Pra lhe amparar e cuidar
Pois sua crise era forte
E não queria com a morte
Sozinho se deparar

E assim mandou chamá-la
E ela chegou muito linda
Carinhosa, afetuosa
E bem mais cheirosa ainda
Falou do encantamento
Que findaria o tormento
Cuidando com devoção
E fez Zeca acreditar
E até com ela sonhar
No jardim do coração

E assim casaram-se os dois
Em singela cerimonia
E a nobreza lhe caia
Mais perfeita que se sonha
E ele pediu mil desculpas
Não consumar por sua culpa
O sonho da jovem esposa
Ele que era um cinquentão
Mas seu pobre coração
Em breve iria pra lousa

E Ana cuidava de Zeca
Como cuidava de si
O rei do Sertão agreste,
Do Brejo e do Cariri
Viu nela um anjo cuidando
E a ela estava amando
Com toda aquela lindeza
Que lhe trazia papinha
E do jardim a cozinha
Reinava a sua beleza

Mas Ana queria mais
Apressar seu passamento
Três anos eram demais
Começou doce tormento
Um dia Zeca a chamou
E ela se apresentou
Pra ele só de calcinha
Foi bomba no coração
E ele agarrou-se ao balão
De oxigênio que tinha

E ela disse: Meu amor
Sou assim, sua todinha!
E Zeca chupando o gás
E o oxigênio não vinha
E ela o beijou no rosto
E ele se encheu de desgosto
Sem revelar seu desejo
E ela ali se vestiu
E nessa hora ele viu
O perigo que é um beijo

E Ana aumentando a dose
Procurando algo no chão
Fazia de quatro pés
E haja dor no coração
Zeca quase a se acabar
E ela tudo a mostrar
Na minissaia curtinha
Às vezes de topless
E os peitos no sobe e desce
Quase matando Zequinha

Um dia ela veio nua
Surpreender o marido
Como um cavalo de índio
Seu olhar verde e enxerido
Sentou no colo de Zeca
Ele soltou a peteca
Do passamento que deu
Só acordou no outro dia
E por trás ela sorria
- “Quase que aconteceu!”

E assim foi o tormento
Agarrado no balão
De Oxigênio no máximo
Pra manter o coração
Mas Ana Rosa malvada
Sempre estava preparada
Para lhe surpreender
E a bicha era tão bonita
Que sua alma estava aflita
Pedindo até pra morrer

Um dia seu médico Charles
Chegou lá de supetão
E disse: Nós conseguimos
O seu novo coração
Colocaram Zeca e Ana
Numa UTI bacana
Que também é avião
Que logo depois seguia
Pra fazer a cirurgia
Transplantando o coração

A operação foi sucesso
Para desgosto de Ana
Diz Charles: É de um atleta
Que morreu esta semana
Sofreu trágico acidente
Com o coração excelente
Você vai ter vida em prosa!
Zeca não pensava em nada
Somente olhava a danada
Da sua esposa Ana Rosa

E foram remédios tantos
Com direito a quarentena
Mas na cabeça de Zeca
Só vinha a linda morena
A nudez daquele dia
O fez sentir a magia
Do coração de atleta
Mas sentia em Ana Rosa
Esvair-se verso e prosa
E foi ficando incompleta

E quanto mais melhorava
Mais Ana entristecia
E ele dizia: - Olha amor
Como a vida renascia
Fique feliz meu pitéu
Que a nossa lua de mel
Eu sonho em comemorar
Pois um coração que ama
Só sai de cima da cama
Quando a vontade passar

E ele já não aguentava
pois quando o povo saia
Ele pegava Ana Rosa
E as carícias que fazia
Beijava a linda na boca
E já com a cuca louca
Ela mandava parar:
- Amor o seu coração
Não está curado não
E pode tudo estragar!

Ana Rosa provocante
Logo logo se acalmou
Pois viu nele um jegue errante
O seu leão se soltou
Da jaula e até da corrente
E agora daqui pra frente
Nem sabia do final
Resolveu aguentar
Pra ninguém desconfiar
Do seu plano marginal

Faltando só quatro dias
O médico lhe liberou
E ao chegar no hotel
Zequinha já deu seu show
O seu problema real
Era maior que o normal
Na carência era Zecão
No começo delicado
Que ela viu seu estado
E agradou seu coração

Mas o problema de Zeca
Era igual ao cachaceiro
Se bebesse uma bicada
Se soltava o mês inteiro
Zeca era um compulsivo
Enquanto estivesse vivo
Era um ativo voraz
Seus olhares de suspiros
Babando feito vampiros
Como o jegue de DaPaz

O tirinete foi grande
E ela ficou destruída
Para ele ela era um parque
De diversão na subida
Quando esse cabra descia
Quase arrancava a polia
Com sua força abissal
E Ana pagou o boleto
Da ganancia em branco e preto
Naquele reino infernal

Era da cama pra sala,
Da sala para o sofá,
Do sofá para o banheiro,
Era pra lá e pra cá
Zeca morrendo de sede
Só no balanço da rede
Quebrando santo no andor
E ela pedia parada
E ele de alma obcecada:
- Meu amor eu quero amor!

Ana pode conhecer
Cada cerâmica que havia
Naquela bela suíte
Subia e depois descia
E aquele olhar de Zequinha
Da raposa pra galinha
Era de intimidar
E o Brasil de norte a sul
Na fama do Barba Azul
Ana pode comprovar

Graças a Deus chega o dia
De pegarem o avião
O corpo dela doía
Do litoral ao sertão
E Zequinha aperrado
Pra novo tarrabufado
Com sua linda Ana Rosa
Assim a moça aprendeu
Desde o dia que nasceu
Sua ambição pavorosa

O preço que Ana Rosa
Pagou com sua ambição
Foi tão grande e poderoso
Que esqueceu o bilhão
Então mal desembarcou
Disse: Zequinha acabou!
Quero a separação
Zequinha ali concordou
Mas sua fama aumentou
E até hoje ele reinou
O Barba Azul do Sertão!