segunda-feira, 17 de novembro de 2014

UMA QUESTÃO DE VALORES

UMA QUESTÃO DE VALORES
Merlânio Maia

Daquele Sertão de outrora
Pro de hoje há uma distância...
Hoje se vive na ânsia
De consumir pra viver
O consumismo é danoso
Se consume o tempo inteiro
Elegeu-se o Deus dinheiro
Pra adorar até morrer

Começa na própria infância
A criança pequenina
Nasce com a mesquinha sina
A mãe não vai lhe criar
Quem cria? A televisão!
Que adestra a promissora
Pequena consumidora
Pra consumir sem parar

Aqui é a frauda tal
Que prende o mijo daqui
Destrói o mundo! E daí?
Pra comer? Tem a papinha
Criada em laboratório
Sopa com gosto anormal
Doce nada natural
Que a vida, vale nadinha!

E tome mais propaganda
Na cabeça da criança
É a boneca de trança
O robô da sensação
A música erotizada
A dancinha da bundinha
E a criança coitadinha
Com alergia e depressão!

No meu sertão o menino
Tinha a mãe como conceito
Pequenino era no peito
Leite forte com carinho
Depois tinha rapadura
Angu para seu deleite
Queijo no cuscuz com leite
Buchada, feijão, farinha!

Mesmo pegando bexiga
Dordói, sarampo e cobreiro,
Bucho inchado e até faxeiro,
E ferida infectada
O remédio do menino
Era leite de jumenta,
Cabacinha pelas venta
E ele ligeiro curava

Fica jovem tem Shopping
O Paraíso encantado
E o consumo exagerado
Faz dele um consumidor
Roupa de grife bem cara,
O tênis, boné de marca,
E a juventude embarca
Num rumo destruidor

Seus valores são os tablets
Ipad, Iphone e Ipod
Quem não pode se sacode
Ou é um nada sem valor
O capitalismo inventa
Os seus valores modernos
Mas são estes os infernos
De suicídio e desamor

A juventude tem tribos
Very wel e birinigth
Se encontra sempre no site
Tem a droga como seita
Mata e morre pelo crack
Faz o bullying na escola,
Leva droga na sacola
Sem isso não é aceita

Lá no Sertão do meu tempo
A juventude era forte
Trabalhar era um esporte
Estudava ali sem choro
Se divertia em xamego,
Jogava bola, pescava,
Banho de açude tomava
E depois tinha o namoro

Família de hoje em dia
Sucumbiu sem seus valores
E o mundo se enche de dores
De violência e de dor
Não há mais tranquilidade
Nem nas ruas, nem no lar
Que o mal irá penetrar
Seu tentáculo destruidor

A nossa sociedade
Adoeceu no consumismo
O cruel capitalismo
Tira o valor e a razão
A Ética e a moral se acabam
Na falta de humanidade
Pois o valor de verdade
Reside no coração

A cura do mal do século
Está no afeto primeiro
No cuidado verdadeiro
No carinho redentor
No lar quente e primoroso
Na alegria coletiva
Na Arte que mantém viva
A chama pura do amor!

sábado, 15 de novembro de 2014

QUANDO A GRANDE TRIBULAÇÃO CHEGAR A TERRA TERÁ ENFIM SEU MERECIDO DESCANSO

QUANDO A GRANDE TRIBULAÇÃO CHEGAR A TERRA TERÁ ENFIM SEU MERECIDO DESCANSO

21/03/2014

Achamos muito oportunas as reflexões deste autor que trabalha a ecologia com pequenos produtores rurais junto ao rio Surui, na Baixada Fluminense. Eis seu texto:
“Ninguém sabe ao certo o dia e hora. É que já estamos no meio dela, sem notarmos. Mas que está vindo, está, cada vez com mais intensidade e nitidez. Quando acontecer a grande virada, tudo vai parecer como se fosse de surpresa.

Embora haja dados seguros que apontam a inevitabilidade das mudanças globais devidas ao clima, com conseqüências que os cientistas tentam adivinhar, mas que seguramente serão para o pior, os interesses econômicos das grandes nações e a falta de visão a longo termo de seus líderes, não lhes permitem tomar as medidas necessárias para mitigar os efeitos e adaptar seu modo de vida ao estado febril da Terra.

Poderíamos imaginar um cenário plausível em que furacões varrerão regiões inteiras. Ondas gigantescas engolirão cidades e civilizações, indo morrer aos pés das montanhas. Secas prolongadas farão com que se troquem todas as riquezas por um simples copo de água suja. O calor e o frio extremos farão lembrar com saudades das histórias das avós que falavam das brisas da tarde e do aconchego de uma lareira no inverno, sempre previsível, e dos frutos amadurecidos ao calor de um sol de verão benfazejo. Comer-se-á só para sobreviver, sempre pouco e de gosto duvidoso.

Mas tudo isto ainda não será o pior. A mãe, de tão fraca, não conseguirá enterrar a filha e o neto matará o avô por causa de uma côdea de pão. O cão e o gato, amigos do homem, serão buscados por toda a parte como última possibilidade de matar a fome. Os vivos invejarão os mortos e não haverá quem chore a morte de crianças. A fome chegará a tal ponto que, como na Jerusalém sitiada, os famintos aguardarão a próxima vítima da morte para disputar-lhe a carne esfiapada.

“O país ficará devastado e as cidades se tornarão escombros. Todo o tempo em que ficar devastada, a Terra descansará pelos sábados que não descansou quando nela habitáveis” (Lev. 26,33-35).

Mas será o fim de toda a biosfera? Não. Por causa dos justos e sensatos, Deus abreviará esses dias e não dizimará toda a vida sobre a Terra, mantendo a promessa que fizera a nosso pai Noé. Mas é necessário que o ser humano passe por essa tribulação para acordar do seu egocentrismo e reconhecer em definitivo que ele é parte da comunidade da vida e o principal guardador dela.

Que fazer para nos prepararmos para esses tempos? Primeiramente, reconhecer que já vivemos neles. Hoje já não sabemos quando virá a primavera ou outono.

Já não contamos com os meses de frio e calor. Já não sabemos reconhecer quando fará chuva ou sol.

Depois, importa ficar quieto, vigiando e observando os sinais que indicam a aceleração dos processos de mudança. E sobretudo, é imprescindível converter-se, mudar de hábitos de vida, uma mudança profunda, pessoal e definitiva. Só então estaríamos em condições morais de pedir aos outros que façam o mesmo. Mas como no tempo dos profetas, poucos ouvirão, alguns escarnecerão e a maioria se manterá indiferente e se permitindo toda sorte de liberdades como no tempo de Noé.

Deveríamos ainda voltar às raízes, recomeçar, como tantas vezes já fez a humanidade arrependida, reconhecendo que somos apenas criaturas e não Criador, que somos companheiros e não senhores da natureza; que para nossa felicidade é indispensável nos submeter às grandes leis da vida e ouvir com atenção a voz de nossa consciência. Se obedecermos a essas leis maiores, colheremos os frutos da Terra e a alegria da alma. Se desobedecermos a elas, herdaremos uma civilização como essa na qual estamos vivendo, cheia de avidez, guerras e tristezas.

Para esses tempos de carestia que virão, é fundamental recuperar as ancestrais artes e técnicas do plantar, colher, comer; do cuidar dos animais e servir-se deles com respeito; do fazer utensílios e ferramentas, com arte e tecnologia local; do selecionar e plantar as ervas que curam e os grãos que nutrem; do recolher para tecer; do preservar as fontes d´água, do encontrar lugares apropriados para cavarmos os poços e do aprender a guardar as águas da chuva. É entrar na faculdade da economia da escassez, da sobriedade compartida e da beleza despojada. Desse saber recuperado e enriquecido surgiria uma civilização do contentamento, uma biocivilização, a Terra da boa esperança.

Depois dessa longa temporada de lágrimas e esperanças, superaremos essa estúpida guerra de religiões, essa intolerável disputa de deuses. Para além dos profetas e tradições, para além das morais e liturgias, quem sabe voltemos a adorar, sob múltiplos nomes e formas, o único Criador de todas as coisas e Pai-Mãe de todos os viventes, no grande Espírito que a tudo une e inspira, entrelaçados amorosamente na única fraternidade universal. E poderemos enfim organizar verdadeiramente a união de todos os povos do mundo e um autêntico parlamento de todas as religiões.

Waldemar Boff é formado em filosofia e sociologia nos USA, fundou o SEOP(Serviço de Educação e Organização Popular que atua entre os pobres na Baixada Fluminense.

FONTE: http://leonardoboff.wordpress.com/2014/03/21/quando-a-grande-tribulacao-chegar-a-terra-tera-enfim-seu-merecido-descanso/

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

CORAÇÃO DO BRASIL

CORAÇÃO DO BRASIL
Merlânio Maia

Bem aventurado és
Meu nordeste brasileiro
Pela tua independência
E pelo ato altaneiro
De viver com liberdade
De mudar a realidade
De quem já te escravizou
Na miséria degradante
E na torpeza infamante
Então teu grito ecoou!

Os maus políticos sabem
Da grandeza varonil
Do teu povo consciente
Que luta pelo Brasil
Da vileza do vampiro
Que no seu último suspiro
Desejava açambarcar
Do Brasil toda riqueza
Quando tua realeza
Chegou pra nos libertar!

Meu Nordeste és um oásis
És primor da natureza
És imenso libertário
Um Titã da realeza
Tuas belezas sublimes
E a grandeza que imprimes
Na arquitetura, na Arte,
Na música, na poesia,
Na prosa e gastronomia,
Teus gênios são Show à parte

Sem falar na Natureza
Que quando fez, caprichou!
Exagerou na beleza
As praias enfeitiçou
Teu povo é lindo e perfeito
Ninguém encontra defeito
Deus te fez lindo e gentil
Se cantam com amor profundo:
“Brasil coração do mundo!”
És coração do Brasil!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

AQUI É O PARAÍSO!

AQUI É O PARAÍSO!
Merlânio Maia

Ô povim triste da peste
O que fala mal da gente
Falar mal desse nordeste
É pura inveja somente
E eu mesmo até que entendo
Pois estão é se mordendo
Quase a perder o juízo
Pois não nascer nordestino
É ter o azar por destino
Que isso aqui é o Paraíso!

O Sol daqui se espraia
Que ele aqui nasce primeiro
Pra onde olhar se vê praia
Coloridas o ano inteiro
É um povo lindo e moreno
Alegre, amigo e sereno
Pronto pro que for preciso
Mulher aqui tem lindeza
Que até a Natureza
Diz: AQUI É O PARAÍSO!

Nossos intelectuais
São os melhores do mundo
Os artistas geniais
Tudo perfeito e fecundo
Nossa cultura é tão rica
Que o mundo abismado fica
E é por isso que eu aviso:
Ao invés de falar mal
E até morrer no final
Vem curtir no PARAÍSO!

A nossa gastronomia
É rico nos seus sabores
Tudo é festa e alegria
Tudo encanta pelas cores
Nossa música e poesia
Que o mundo reverencia
Faz o Brasil indiviso
Tem razão de invejar
Vem tomar banho de mar
Vem amar no PARAÍSO!!!

(11.11.2014) (Inspirado numa postagem de um cabra chamado Ed Passos que falou tão bem do Nordeste que fiz o poema!)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O CASO SCHUMACHER


O CASO SHUMACHER
Por Merlânio Maia

A vida nos coloca em cada esquina de pedra de tirar o fôlego! Porém são estas esquinas que servem para nos dar um salto em direção a vida. Acredito mesmo que uma das maiores virtudes que tem a alma humana é a capacidade de aprender com os erros e quedas e dores e sofrimentos dos outros.

Vejam o caso de Michael Shumacher! Um homem de imenso sucesso. Sem dúvida nenhuma um dos maiores campeões de um dos mais assistidos esportes do mundo, a Fórmula 1!

Sucesso no trabalho, na vida e no amor!

Arriscar a vida, era a tônica do seu trabalho! A adrenalina que a excessiva velocidade lhe davam era a sua alimentação para fazer vibrar plateias do mundo inteiro e circular bilhões de dólares no universo do esporte.

Pois bem! Saindo do autódromo como campeão sem similar, vai até uma estação de férias esquiar, que era outra paixão da sua vida e num momento de distração, para ajudar alguém, descontrola-se e cai! Bate fortemente a cabeça e perde, inclusive massa encefálica. Daí vem o coma e nele segue até hoje!

A família tem gastado o equivalente a um milhão e meio de reais, por mês no seu tratamento! E agora vêm as notícias que os médicos estão desalentados e quase jogando a toalha!

                                                          ***        

Vale uma reflexão: O que estamos fazendo da nossa vida?
Viver é um sopro! Já dizia D. Helena, minha mãe querida, nos idos da minha meninice.

E a reflexão que faço é exatamente nesta direção. Se a vida é tão tênue e frágil, para que ainda ostentamos tanto orgulho e tanto egoísmo? Para que tanto desejo de vingança? Para que o ódio? Mais ainda, para que juntar riqueza material se não vivemos nesta dimensão para sempre!

Vivamos mais e melhor. Valorizemos mais a nossa família; os momentos de aprendizado; o apoio e ajuda que damos de nós mesmos; os segundos de alegria e riso! Pois quem é dono do amanhã?

O que será do poder que nos apossamos hoje? Será que poderemos fazer e ser tudo aquilo que temos nas nossas mãos agora indefinidamente?

Que veja os que tem olhos de ver!

A VISITA

Meu povo,

Ontem, como tantas vezes me acontece, deixei meu corpo dormindo e saí para ver estrelas. Mas logo ali, sob os raios da lua, uma estranha figura feminina me aguardava.

Morena tão linda de riso perfeito, o corpo com jeito de viola nova, cinturinha fina, fitas no cabelo, era jovem ainda, tão divina e linda!

Seus olhos escuros de eternidade, falavam de riso e de amenidades. E me provocava esta morena linda, uma estranha ainda me enamorava.

Mas vi num relance cenas do seu passado. Andava ceifando vidas sobre a Terra. Talvez fosse a morte e me provocava e dizendo:
- Poeta, vim só de visita!
Este e meu trabalho ser anjo da morte, não tenho outra sorte que possa almejar, mas tenho alegrias por vezes infindas, nas idas e vindas do meu caminhar!
Estou de passagem, mas sobrou-me tempo e vim num momento ouvir um poeta. Já visitei tantos, já escutei poemas dos quais já fui temas de dor e prazer! Porém hoje esta Lua me fala de encantos e ouvi teus cantos, então vim te ver, mas a tua hora ainda é futuro e te asseguro, demorará ser!
Ainda darei-te a escolha da forma, não há uma norma para perseguir. Mas o teu desejo por tuas cantigas será o que digas, diz que irei cumprir!

E eu disse sorrindo: que assim ela seja! Nem rápida, abrupta, nem lenta agonia, que eu tenha um tempo para despedida, não seja violenta e nem dolorida, que seja a partida de quem vai partir. Te peço que dê-me o tempo correto, pois tenho projetos que quero deixar, não sou de corrida, nem enfastiado, preciso de um estado para deleitar!

A moça morena sorriu bem faceira, sua cabeleira esvoaçou feliz e disse: Está certo, meu doce poeta, cumprirás a meta do Eterno Juiz!
Sorriu e partiu toda esvoaçante, mas tinha o semblante de um Anjo da Paz e eu fiquei mudo olhando o universo e meio disperso versejei mais!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

AVISO NO DIA DE FINADOS

AVISO NO DIA DE FINADOS
Merlanio Maia

Quando um dia eu for lembrança
Recorde o quanto eu amei
Da Natureza a bonança
E ela em versos decantei
E se a saudade apertar
Me encontre em algum lugar
Onde a natura é mistério
Em jardim, em bosque, ou praia,
Por onde o vento se espraia
Jamais vá a um cemitério!

No cemitério há somente
Vermes, lama e podridão
Não há mais corpo nem mente
Tudo é decomposição
Ali jamais estarei
Como espírito cantarei
A canção do amor liberto
Se esqueça do cemitério
Neste ambiente funéreo
Não passarei nem por perto!
(02.11.2014)
Merlanio Poeta - de Poesia em Poesia

sábado, 1 de novembro de 2014

“Estamos indo direto para o matadouro”


Publicando esta entrevista, diretamente do Blog do filósofo Leonardo Boff, pela importância de pulverizarmos a informação sobre a vida da nossa floresta Amazônica:

“Estamos indo direto para o matadouro”, diz Antonio Nobre
01/11/2014

Antonio Donato Nobre é um dos nossos melhores cientistas, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e um especilista em questões amazônicas. É mundialmente conhecido como pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Sustenta que o desmatamento para já, inclusive o permitido por lei sem prejuizo do agronegócio que de ve incorpar fatores novos da falta de água e das secas prolongadas. Enfatiza:”A agricultura consciente, se soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas e plantando árvores em sua propriedade”. Publicamos aqui sua entrevista aparecida no IHU de 31 de outubro de 2014, dada a urgência do tema e seus efeitos maléficos notados no Sudeste, especialmente na metrópole de São Paulo. Temos que divulgar conhecimentos para assumirmos atitudes corretas e organizarmos nosso desenvolvimento a partir destes dados inegáveis:Lboff

*********************************
Eis a entrevista.

Quanto já desmatamos da Amazônia brasileira?

Só de corte raso, nos últimos 40 anos, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro. A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo. A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estou falando de degradação florestal.

Essa é a “guilhotina de árvores” que o senhor menciona?
Foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto. É o clima que sente cada árvore que é retirada da Amazônia. O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa.
O sr. pode explicar?
Os cientistas que estudam a Amazônia estão preocupados com a percepção de que a floresta é potente e realmente condiciona o clima. É uma usina de serviços ambientais. Ela está sendo desmatada e o clima vai mudar.
A mudança climática…
A mudança climática já chegou. Não é mais previsão de modelo, é observação de noticiário. Os céticos do clima conseguiram uma vitória acachapante, fizeram com que governos não acreditassem mais no aquecimento global. As emissões aumentaram muito e o sistema climático planetário está entrando em falência como previsto, só que mais rápido.
No estudo o sr. relaciona destruição da floresta e clima?
A literatura é abundante, há milhares de artigos escritos, mais de duas dúzias de projetos grandes sendo feitos na Amazônia, com dezenas de cientistas. Li mais de 200 artigos em quatro meses. Nesse estudo quis esclarecer conexões, porque esta discussão é fragmentada. “Temos que desenvolver o agronegócio. Mas e a floresta? Ah, floresta não é assunto meu”. Cada um está envolvido naquilo que faz e a fragmentação tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a síntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situação.
Qual é a situação?
A situação é de realidade, não mais de previsões. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima já mudou. Lá está aumentando a duração da estação seca e diminuindo a duração e volume de chuva. Agricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva não chegou. Ano após ano, na região leste e sul da Amazônia, isso está ocorrendo. A seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amazônia já é realidade. O sistema está ficando em desarranjo.
A seca em São Paulo se relaciona com mudança do clima?
Pegue o noticiário: o que está acontecendo na Califórnia, na América Central, em partes da Colômbia? É mundial. Alguém pode dizer – é mundial, então não tem nada a ver com a Amazônia. É aí que está a incompreensão em relação à mudança climática: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destruição de florestas. A consequência não é só em relação ao CO2 que sai, mas a destruição de floresta destrói o sistema de condicionamento climático local. E isso, com as flutuações planetárias da mudança do clima, faz com que não tenhamos nenhuma almofada.
Almofada?
A floresta é um seguro, um sistema de proteção, uma poupança. Se aparece uma coisa imprevista e você tem algum dinheiro guardado, você se vira. É o que está acontecendo agora, não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a “costa quente” da Amazônia. A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais.
O sr. fala em tapete tecnológico da Amazônia. O que é?
Eu queria mostrar o que significa aquela floresta. Até eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microscópio, a floresta é a hiper abundância de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada. O tapete tecnológico da Amazônia é essa assembleia fantástica de seres vivos que operam no nível de átomos e moléculas, regulando o fluxo de substâncias e de energia e controlando o clima.
O sr. fala em cinco segredos da Amazônia. Quais são?
O primeiro é o transporte de umidade continente adentro. O oceano é a fonte primordial de toda a água. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na América do Sul, entra 3.000 km na direção dos Andes com umidade total. O segredo? Os gêiseres da floresta.
Gêiseres da floresta?
É uma metáfora. Uma árvore grande da Amazônia, com dez metros de raio de copa, coloca mais de mil litros de água em um dia, pela transpiração. Fizemos a conta para a bacia Amazônica toda, que tem 5,5 milhões de km2: saem desses gêiseres de madeira 20 bilhões de toneladas de água diárias. O rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a água doce nos oceanos, despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia. Esse fluxo de vapor que sai das árvores da floresta é maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração das árvores e se mantém úmido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa é uma característica das florestas.
É o que faz falta em São Paulo?
Sim, porque aqui acabamos com a Mata Atlântica, não temos mais floresta.
Qual o segundo segredo?
Chove muito na Amazônia e o ar é muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas são muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das árvores. Esses odores vão para atmosfera e quando têm radiação solar e vapor de água, reagem com o oxigênio e precipitam uma poeira finíssima, que atrai o vapor de água. É um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais gás e o sistema se mantém.
E o terceiro segredo?
A floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E naAmazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos.
Como tudo isso se relaciona à seca de São Paulo?
No quarto segredo. Estamos em um quadrilátero da sorte – uma região que vai de Cuiabá a Buenos Aires no Sul, São Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da América do Sul. Se olharmos o mapa múndi, na mesma latitude estão o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Mas aqui, não, essa região era para ser um deserto. E no entanto não é, é irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? AAmazônia exporta umidade. Durante vários meses do ano chega por aqui, através de “rios aéreos”, o vapor que é a fonte da chuva desse quadrilátero.
E o quinto segredo?
Onde tem floresta não tem furacão nem tornado. Ela tem um papel de regularização do clima, atenua os excessos, não deixa que se organizem esses eventos destrutivos. É um seguro.
Qual o impacto do desmatamento então?
O desmatamento leva ao clima inóspito, arrebenta com o sistema de condicionamento climático da floresta. É o mesmo que ter uma bomba que manda água para um prédio, mas eu a destruo, aí não tem mais água na minha torneira. É o que estamos fazendo. Ao desmatar, destruímos os mecanismos que produzem esses benefícios e ficamos expostos à violência geofísica. O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinha que ter parado com o desmatamento há dez anos. E parar agora não resolve mais.
Como não resolve mais?
Parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem. A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade.
E se não fizermos isso?
Veja pela janela o céu que tem em São Paulo – é de deserto. A destruição da Mata Atlântica nos deu a ilusão de que estava tudo bem, e o mesmo com a destruição da Amazônia. Mas isso é até o dia em que se rompe a capacidade de compensação, e é esse nível que estamos atingindo hoje em relação aos serviços ambientais. É muito sério, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.
O que o sr. está dizendo?
Agora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. Não adianta mais dizer “vamos reduzir a taxa de desmatamento anual.” Temos que fazer frente ao passivo, é ele que determina o clima.
Tem quem diga que parte desses campos de futebol viraram campos de soja.
O clima não dá a mínima para a soja, para o clima importa a árvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, não tem dossel, tem raiz curta, não é capaz de bombear água. Os sistemas agrícolas são extremamente dependentes da floresta. Se não chegar chuva ali, a plantação morre.

O que significa tudo isso? Que vai chover cada vez menos?
Significa que todos aqueles serviços ambientais estão sendo dilapidados. É a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu – aí não tem mais eletricidade. É de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amazônia. 
É essa a dimensão dos serviços que estamos perdendo. Estamos perdendo um serviço que era gratuito que trazia conforto, que fornecia água doce e estabilidade climática. Um estudo feito na Geórgia por uma associação do agronegócio com ONGs ambientalistas mediu os serviços de florestas privadas para áreas urbanas. Encontraram um valor de US$ 37 bilhões. É disso que estamos falando, de uma usina de serviços.

As pessoas em São Paulo estão preocupadas com a seca.
Sim, mas quantos paulistas compraram móveis e construíram casas com madeira da Amazônia e nem perguntaram sobre a procedência? Não estou responsabilizando os paulistas porque existe muita inconsciência sobre a questão. Mas o papel da ciência é trazer o conhecimento. Estamos chegando a um ponto crítico e temos que avisar.
Esse ponto crítico é ficar sem água?
Entre outras coisas. Estamos fazendo a transposição do São Francisco para resolver o problema de uma área onde não chove há três anos. Mas e se não tiver água em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a região que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geográfico e vire deserto? Vamos buscar água no aquífero?
Não é uma opção?
No norte de Pequim, os poços estão já a dois quilômetros de profundidade. Não tem uso indefinido de uma água fóssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. É um estoque, como petróleo. Usa e acaba. Só tem um lugar que não acaba, o oceano, mas é salgado.

O esforço de guerra é para acabar com o desmatamento?
Tinha que ter acabado ontem, tem que acabar hoje e temos que começar a replantar florestas. Esse é o esforço de guerra. Temos nas florestas nosso maior aliado. São uma tecnologia natural que está ao nosso alcance. Não proponho tirar as plantações de soja ou a criação de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as Áreas de Proteção Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. Não só na Amazônia. Aqui em São Paulo, se tivesse floresta, o que eu chamo de paquiderme atmosférico…
Como é?
É a massa de ar quente que “sentou” no Sudeste e não deixa entrar nem a frente fria pelo Sul nem os rios voadores da Amazônia.
O que o governo do Estado deveria fazer?
Programas massivos de replantio de reflorestas. Já. São Paulo tem que erradicar totalmente a tolerância com relação a desmatamento. Segunda coisa: ter um esforço de guerra no replantio de florestas. Não é replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto não tem este papel em relação a ciclo hidrológico, tem que replantar floresta e acabar com o fogo. Poderia começar reconstruindo ecossistemas em áreas degradadas para não competir com a agricultura.
Onde?
Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em áreas íngremes. Em vales onde só tem capim, tem que plantar árvores da Mata Atlântica. O esforço de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais rápida forma possível.
E o desmatamento legal?
Nem pode entrar em cogitação. Uma lei que não levou em consideração a ciência e prejudica a sociedade, que tira água das torneiras, precisa ser mudada.
O que achou de Dilma não ter assinado o compromisso de desmatamento zero em 2030, na reunião da ONU, em Nova York?
Um absurdo sem paralelo. A realidade é que estamos indo para o caos. Já temos carros-pipa na zona metropolitana de São Paulo. Estamos perdendo bilhões de dólares em valores que foram destruídos. Quem é o responsável por isso? Um dia, quando a sociedade se der conta, a Justiça vai receber acusações. Imagine se as grandes áreas urbanas, que ficarem em penúria hídrica, responsabilizarem os grandes lordes do agronegócio pelo desmatamento da Amazônia. Espero que não se chegue a essa situação. Mas a realidade é que a torneira da sua casa está secando.

Quanto a floresta consegue suportar?
Temos uma floresta de mais de 50 milhões de anos. Nesse período é improvável que não tenham acontecido cataclismas, glaciação e aquecimento, e no entanto a Amazônia e a Mata Atlântica ficaram aí. Quando a floresta está intacta, tem capacidade de suportar. É a mesma capacidade do fígado do alcoólatra que, mesmo tomando vários porres, não acontece nada se está intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resiliência que tínhamos, com a floresta, fique perdida.
Aí vem uma flutuação forte ligado à mudança climática global e nós ficamos muito expostos, como é o caso do “paquiderme atmosférico” que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, não aconteceria, porque a floresta resfria a superfície e evapora quantidade de água que ajuda a formar chuva.
O esforço terá resultado?
Isso não é garantido, porque existem as mudanças climáticas globais, mas reconstruir ecossistemas é a melhor opção que temos. Quem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harmônica, de serviços agroecossistêmicos. 
Não tem nenhuma razão para o antagonismo entre agricultura e conservação ambiental. Ao contrário. A agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas. E, por iniciativa própria, replantaria a floresta nas suas propriedades.

FONTE: http://leonardoboff.wordpress.com/2014/11/01/estamos-indo-direto-para-o-matadouro-diz-antonio-nobre/

SOU O CANTADOR DO MUNDO!


SOU O CANTADOR DO MUNDO!
Merlanio Maia

Sou poeta de nascença
Não sei bem se crença ou ato
Mas confesso que sou nato
Da palavra e do fervor
Daquilo que ferve a alma
Ferve os olhos, ferve a mente
Me faz gritar febrilmente
Por isso eu sou Cantador


E canto minhas certezas
E meu canto não se cala
Canto na rua e na sala,
No teatro e no salão
Mas cantos nas catingueiras
Nas veredas, tabuleiros,
Canto também nos terreiros
Sou Cantador do Sertão!

E se me virem na praia
Nas areias a cantar
Um galope à beira mar
Ali também me aprofundo
O que importa é que eu canto
Não me calo ou me intimido
Sou o canto do oprimido
Sou um Cantador do mundo!
(Merlanio Poeta - de Poesia em Poesia)

A LIBERDADE DOS EMPOBRECIDOS E O VOTO DE CABRESTO

Quando o Nordeste, que historicamente era o voto de cabresto dos políticos de direita do Sul/Sudeste do Brasil, não votou na direita velha e encarquilhada, causou desespero nos filhinhos e filhinhas de papai. Como assim? Não era ali que vovô retirava largas somas de votos? Era ali sim! Não é mais!

O Nordeste brasileiro tem uma história de uma semi-escravidão! Homens e mulheres que eram escravizados por ricos herdeiros da terra, que de geração a geração, aprendiam a explorar os empobrecidos. Empobrecidos sim, já que quando se paga 1% do valor real da remuneração de uma pessoa, se está enriquecendo com o roubo e mais 99% daquele valor.

Assim se fazia com o homem e a mulher do campo e enriquecia mais ainda o latifundiário; os da cidade também sabiam explorar os empregados e as empregadas domésticas pagando quantias irrisórias a este povo e empobrecendo-os a cada dia.

Este empobrecimento calculado, os mantinha excluídos! Sem poderem estudar para crescer e sair da pobreza extrema, pois sua faina não permitia o luxo de progredir. E ainda eram tratados por feitores humanos em tempos de não escravidão! Vejam só!

Com a era Lula, começou um processo lento e doloroso da libertação real! Era da inclusão social! Com a esperança, do verbo esperançar, viram que poderiam ir além! Os mais empobrecidos cortaram a corda do cabresto com os dentes e assumiram suas vidas.

E sem nenhum remorso, puderam votar com seu sentimento de liberdade em quem os libertou! Nada mais natural!

Agora que a liberdade chegou aos recônditos sertanejos e aos bolsões de miséria, rompendo com aquele mal tão antigo, vem o desespero clássico dos exploradores!

Como assim? Como o Nordeste votou contra a direita? Como? A minha empregada, o meu motorista votaram contra nós? Votaram sim!

Agora mais uma página da história jovem deste país Brasil, começa a ser escrita. Os filhos dos empobrecidos chegam a universidade e se formam e terão mestrados e doutorados! E estarão livres da miséria que um dia escravizou seus ancestrais.

E estes filhos do Brasil real, crescerão contribuindo para um Brasil produtivo e soberano! Um Brasil forte e poderoso! Um Brasil independente e livre! Livre como o seu povo! Seu povo lindo de todas as cores e de todas as crenças e de todos os amores! Brasil, meu Brasil brasileiro!
Merlanio Poeta - de Poesia em Poesia)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A CULPA FOI DO NORDESTE SIM SINHÔ!!!


A CULPA FOI DO NORDESTE SIM SINHÔ!!!
Por Merlânio Maia

Para aqueles que não sabem, eu sou nordestino! Não escolhi nascer aqui, Deus foi quem me deu a honra de nascer num lugar recheado de arte e de artistas, de uma natureza tão bela que é apaixonante e de um povo afetuoso, feliz e forte, como reconheceu Euclides da Cunha.

Sou artista popular e minha arte é forte, bela e pulsante por que é o Nordeste!

Nesta terra maravilhosa ainda há um quantum de pobreza. Pobreza que já foi miséria, porém não foi ao acaso, esta miséria foi construída pelos governantes sulistas e sudestinos de direita, propositadamente. Já que era na miséria vil, o seu trunfo importante, para gerar mão de obra escrava, baratíssima, além do voto de cabresto, que os elegia sempre!

Tanto é verdade que São Paulo e Brasilia foram construídas por esta mão de obra, senão seria impossível construí-las, já que o custo as tornaria inviáveis!

Agora é que os bolsões de miséria estão sendo destruídos por políticas de inclusão social, deste governo de Lula/Dilma, inclusão esta que era uma dívida muito antiga do país para com os nordestinos!

Então traduz uma verdade inconteste e um orgulho cabra da peste dizer que os nordestinos foram a força poderosa que votou contra a histórica força escravizadora!

E nos sentimos honrados quando vem o grito de desespero da direita estúpida: "A CULPA DA NOSSA DERROTA FOI DO NORDESTE!"

E eu digo com o orgulho da minha alma: FOI SIM SINHÔ!

Foi sim, porque foi um grito de liberdade dos excluídos, dos empobrecidos, dos sacrificados, dos escravizados pela política vampirizadora de uma direita cruel, que retirou dessa gente todas as possibilidades de trabalhar e ser pago, dignamente, pelo seu trabalho; de poder estudar e ser avaliado pelo mérito do seu estudo; de poder viver sem ver seus irmãos e filhos morrerem de fome. Por isto nos sentimos honrados em ter sido o nosso voto rebelde, que mudou o rumo dos que somente pensam em si mesmos!

E com o nosso voto, o Brasil se mantém no rumo da inclusão social, do enriquecimento do Nordeste e no real crescimento desta Soberana Nação que é o Brasil! Brasil de todos nós, não apenas de uma parcela arrogante e odienta!

E para concluir ainda aviso que não aceito no rol de amigos do Facebook pessoas que tem vergonha de ser nordestina, gente que vomita impropérios aos corações valentes do nordeste, pois foram estes que se rebelaram com coragem e independência! Bloquearei o perfil de todos e de cada um que faltar com o respeito ao povo nordestino!

A gente do Nordeste é corajosa, valente, forte, mas também é afetuosa, gentil, feliz, acolhedora e brasileira apaixonada! Se não nos conhece, nos trate como nós tratamos a sua gente e seremos felizes para sempre!

sábado, 25 de outubro de 2014

UM POEMA PARA DILMA



UM POEMA PARA DILMA
Merlânio Maia

Eis uma mulher valente,
Corajosa, impetuosa
Que como toda mulher
Merece o maior respeito
E esta merece mais
Por pensar o seu país
No sacrifício de sangue
E na tortura infeliz

Esta mulher é uma força
Que enfrenta o poder mais forte
O poder que estabelece
Destino de vida e morte

Da morte que a fome mata
Da morte que mata a fome

E mesmo ao câncer voraz
Esta mulher enfrentou
O enfrentou e o venceu
Como ao seu torturador
Foi mais um! Disse pra si
E se riu quando passou

Tropeça pelas palavras
Palavras de doce avó
E se encanta com os encantos
Porque nunca está só

E os velhos nela acreditam
E os jovens nela creditam
Na sua presença sã
Que aponta tantos caminhos
De esperanças sem espinhos
Que faz real o amanhã

E ante as trevas ela é luz
Que espalha luas e estrelas
E faz a vida mais viva
E nossas vidas mais belas

E enfrenta o dragão feroz
Do interesse malsão
E enfrenta a hiena louca
Da ganância, e faz clarão
E mata a fome do povo
A fome que matou João,
Matou Zé e Severino,
Matou também meu irmão

A morte que a fome mata
A morte que mata a fome

E é ela uma mulher
Que tem Dilma no seu nome
É ela o fio de esperança
É nela que a fome some

É Dilma, Dilma Roussef
É a mais forte esperança
É um dos nomes do Amor
É nome de mais mudança
É Dilma, Dilma Roussef
Dilma de Paz e Bonança

Dilma nossa presidenta
A Dilma vitoriosa
Do câncer e da tortura
Do Planalto poderosa
É a mulher brasileira
Forte como o diamante
Delicada como a rosa

Dilma é nome de esperança
Dilma mulher de ação
Dilma à frente dos Brasis
Dilma em cada coração
Dilma Coração Valente
Dilma é libertação
Dilma é o Brasil liberto
Dilma é o nome mais certo
Dilma é a mais linda canção!!!

(Merlânio Maia)


Merlanio Poeta - de Poesia em Poesia

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Aumento da desigualdade nos EUA preocupa presidente do Fed

Janet Yellen: "a extensão do avanço constante da desigualdade nos EUA me preocupa muito"

Por Virginie Montet, da AFP

Washington - A presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, disse, nesta sexta-feira, estar "muito preocupada" com o aumento constante das desigualdades nos EUA, que são as maiores desde o começo do século passado.

"A extensão do avanço constante da desigualdade nos EUA me preocupa muito", disse a titular do Fed (o Banco Central americano) em discurso pronunciado em uma conferência sobre economia realizada em Boston nesta sexta-feira.

"Acho que é tempo de se perguntar se isso é compatível com os valores de igualdade de oportunidades que estão arraigados na história da nossa sociedade", acrescentou.

Não é a primeira vez que Yellen se refere ao aspecto social da lenta recuperação da economia dos Estados Unidos. Seu primeiro grande discurso como presidente do Fed no início do ano foi intitulado de "A dolorosa e lenta reativação para os trabalhadores americanos".

No Fed, Yellen faz parte do grupo de dirigentes que se preocupa mais com o desemprego do que com a inflação.

"As desigualdades voltaram a se aprofundar durante a reativação econômica, enquanto que o mercado financeiro se recuperou. O crescimento dos salários (...) foi frágil, e a alta dos preços dos imóveis dificulta a recuperação do patrimônio perdido por boa parte das famílias durante a crise", disse Yellen.

A importância da educação

Segundo Yellen, a desigualdade de renda e de patrimônio nos Estados Unidos "quase atingiu o pico do século passado".

A recessão se estendeu de 2008 até junho de 2009 nos EUA, após o estouro da bolha imobiliária, em um contexto em que os preços dos imóveis registravam aumento dos preços. Desde então, verifica-se uma lenta e modesta recuperação.

Citando dados do Fed, Yellen lembrou que a renda dos 5% mais ricos cresceu 38% entre 1989 e 2013. Em comparação, a renda de 95% das famílias aumentou somente 10%.

"A distribuição de riqueza é ainda mais desigual do que a de renda", completou. "Os 5% mais ricos possuíam 54% de toda a riqueza em 1989, e esse percentual subiu para 63% em 2013", concluiu.

No ano passado, 50% das famílias com menos renda possuíam apenas 1% da riqueza.

De acordo com a presidente do Fed, 5% dos mais ricos têm dois terços dos ativos financeiros, como ações, títulos do Tesouro americano, ou similares.

Yellen destacou a importância da educação para melhorar esse quadro e denunciou o financiamento problemático desse setor no país. Assim como outros funcionários no ramo econômico, Yellen demonstrou recentemente sua preocupação com o endividamento dos jovens para custear seus estudos.

A dívida desse grupo nos EUA quadruplicou em dez anos e supera US$ 1 trilhão.

FONTE: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/aumento-da-desigualdade-nos-eua-preocupa-presidente-do-fed

Aos meus amigos que votarão em Aécio

Meu povo,

Estou postando um artigo muito bom, pois sei que vocês merecem o melhor. Retirei do Blog da Milly, sem autorização expressa da dona, mas não poderia deixar de postar tão importante reflexão em dias cruciais para o nosso país.

Segue com um xêro cafungado!

MM




Aos meus amigos que votarão em Aécio

Recentemente encuquei com a quantidade de pessoas que julgo inteligentes e que estão declarando voto-protesto em Aécio “para mudar tudo isso aí”. Sempre que alguém me diz que “do jeito que as coisas estão não dá mais” me pergunto se essa pessoa nasceu e cresceu na Dinamarca e chegou no Brasil há alguns anos apenas. O que não dá mais exatamente? As coisas não estão ótimas, mas já foram imperialmente mais grotescas. Talvez tudo esteja melhor com exceção do trânsito nas capitais – e vamos combinar que trânsito na capital não é a rigor um problema do Governo Federal.
“Ah, mas a corrupção está insustentável”.
Como assim, meu amigo? A corrupção é esporte nacional desde que o tal Dom João aportou por aqui. Pode não ter melhorado, mas agora está aí para ser julgada e condenada, como de fato está sendo.
“O PT quer instalar a ditadura”, já escutei gente que sei que é do bem dizer.
Mas então me expliquem que tipo de ditadura demora 13 anos para ser instalada? E que ditadura mantém poderes independentes e uma Polícia Federal que investiga o pessoal da situação? Que ditadura manda para a cadeia alguns de seus líderes mais influentes? Que ditadura permite ser chamada de ditadura sem mandar prender quem falou isso?
Encucada, comecei a refletir sobre essas coisas. Raramente minhas reflexões acabam em lugares produtivos, mas, por dever moral, compartilho aqui o que meus dois neurônios concluíram.
A sensação de insatisfação é mundial. Recentemente, a Europa teve que escolher o novo Parlamento, votado pela população dos países da comunidade Europeia, e duas correntes saíram vitoriosas da eleição: as de extrema direita e as socialistas. Me parece um recado claro de que todos querem mudança.
Mas mudança do que? O que está pegando?
O que está pegando é a desigualdade social e o desemprego. O Brasil não vai mal em nenhum dos dois (desigualdade e desemprego diminuiram), mas a onda da mudança chegou aqui também.
Todos nós sabemos que um pouco de desigualdade faz parte do jogo, mas a desigualdade que vemos hoje é alarmante e dilacerante. E, com a quebradeira de 2008 e os altos níveis de desemprego na Europa e nos Estados Unidos, é natural – embora abominável – que a turma da extrema direita, a turma do nacionalismo, a turma do “volta pra casa imigrante de merda porque é por sua causa que estamos nessa situação” se agigante e saia elegendo seus representantes. A explicação para a catastófica situação de hoje não é, claro, o imigrante, mas situações limite tendem a tirar o pior ou o melhor do ser-humano; e no caso da extrema direita é sempre o pior.
Mas o que levou a economia mundial a esse ponto?
Vamos analisar o caso americano, o berço do neo-liberalismo, esse sistema tão idolatrado pelos psdbistas, e onde hoje quatrocentas pessoas têm mais dinheiro do que a riqueza de metade da população somada. Os parágrafos a seguir estão mais no estilo “economia para idiotas” (o meu caso precisamente), mas sigam comigo porque eu prometo levá-los até que completemos um círculo inteiro.
Setenta porcento da economia americana está no consumo, e quem sustenta o consumo de qualquer economia é sempre a classe média. Se a classe média para de consumir, a economia para de crescer. O salário de um trabalhador comum nos Estados Unidos não cresce desde os anos 70. Não cresce significa que o poder real de compra do salário não muda há 40 anos. Está estagnado há quase quatro décadas. E estagnado nem é a palavra correta. O trabalhador comum ganha menos hoje do que ganhava em 1970.
Em compensação, a produtividade só cresceu, e só faz crescer até hoje. Então: se o salário é o que o patrão dá ao trabalhador, e se produtividade é o que o trabalhador dá ao patrão a gente consegue entender onde foi parar essa diferença. É um gráfico simples que até eu entendo. Mais produtividade, mais lucro. Mais lucro sem aumentar o salário do trabalhador significa acúmulo de dinheiro nas mãos apenas daqueles que controlam os meios de produção (perdoem se aqui o discurso soa marxista, sei que isso assusta alguns, mas prometo não arrepiá-los pedindo que se instale o comunismo).
E o que o patrão fez com esse dinheiro acumulado? Em vez de devolver ao mercado, ele guardou. Guardou em ações, em capital especulativo — no mercado de capital enfim. É um dinheiro que não cria utilidade social, o que seria aceitável numa sociedade de iguais, e não é esse o caso. Em 1970 a diferença entre o que ganhava um trabalhador comum e o que ganhava o dono do negócio era de 40 vezes. Hoje essa diferença chega a ser 400 vezes maior. Não precisamos de muito mais para entender o tamanho da desigualdade.
No mesmo período, fortificou-se a ideia de que taxar o patrão não é um bom negócio porque ele é o cara que cria empregos e, afinal, precisamos de empregos. Então, impostos sobre os ricos só caíram. Um trabalhador comum nos Estados Unidos hoje paga em torno de 30% de impostos. Warren Buffet, uma das maiores fortunas do mundo, paga 11%.
(Pausa para que façamos a digestão).
Naturalmente até meus dois neurônios entendem que não é o empresário que cria emprego. Quem cria emprego é o consumidor. O empresário não acorda de bom humor numa sexta-feira ensolarada e diz: “Que dia lindo! Vou criar vinte empregos hoje!” Ele, aliás, de uma forma geral só cria emprego em caso de última necessidade, e de não poder mais sobrecarregar o funcionário com tarefas extras porque o cidadão está esgotado. Se alguém auto-denomina “criador de empregos” ele está apenas fazendo uma declaração de poder e de status, nada além disso.
O centro do universo econômico é o consumidor e não o empresário como gosta de pensar o neo-liberal. E toda a história de prosperidade econômica de uma comunidade é uma história de investimento social. Investimento nas classes mais baixas, e em coisas básicas como educação – gratuita e de qualidade. Se querem um exemplo de investimento social fiquemos com a Coreia do Sul porque assim poupo vocês de falar de Cuba e não perco leitores.
Aqueles que insistem com o discurso da divindade do livre mercado ainda não se deram conta de que livre mercado nunca existiu porque o governo, qualquer governo, sempre regulou mercados. O problema americano é que, desde o neoliberalíssimo Ronald Reagan, os mercados passaram a ser regulados de forma a atender os interesses dos muito ricos apenas. Uma regulação mão-leve, vista-grossa, uma regulação que protege o opressor e não o oprimido.
Outra atitude tomada por Reagan foi o fim dos sindicatos. A economia americana hoje quase não tem sindicatos. E sem eles não há quem lute por reajustes salariais para o trabalhador, por isso a estagnação do poder real de compra do dólar por quarto décadas a despeito de tudo mais continuar a subir – casa, alimentação, saúde etc etc.
O que fez o trabalhador americano tendo que continuar a gastar com casa, alimentação, saúde e educação mas ganhando rigorosamente o mesmo salário por gerações? Se endividou. Gastou no cartão, fez empréstimos e, ainda mais cruel, acumulou empregos, trabalhando muitas vezees em dois ou três. Que custo isso tem para uma sociedade? Para as relações? Para as famílias? Sem dinheiro e tendo que trabalhar por horas sem fim as pessoas não se cuidam, não se relacionam decentemente, não criam filhos decentemente, não se alimentam decentemente. O diabo da economia capitalista é que, no fim, todo esse drama entra na conta como crescimento: médicos, remédios, psicólogos, mortes…
Não é preciso ser um gênio para etender que se a produtividade aumenta, o salário também precisa aumentar. Não apenas porque é legítimo e moral, mas porque se o salário aumenta, o trabalhador compra mais, e se ele compra mais a empresa cria mais empregos, e se a empresa emprega mais e fatura mais, ela paga mais impostos. E se ela paga mais impostos o governo ganha mais e investe mais em social e em educação e a economia cresce. Se em alguma dessas etapas o giro é interrompido para que alguma das partes possa acumular capital, a economia trava e a desigualdade aumenta.
Isso chamamos de neo-liberalismo: o mercado quase sem regulação federal, pouco ou nenhum investimento social, capital acumulado na mão daqueles que controlam os meios de produção.
O modelo neo-liberal, o modelo do PSDB, não prevê investimentos sociais (vamos apenas lembrar que o PT fez o Minha Casa Minha Vida, o Luz Para Todos, o ProUni e ampliou o Bolsa Família que era um programa nanico e anêmico durante os anos FHC), não prevê força sindical, não prevê taxação maior aos ricos, não prevê regulação mais forte do mercado em benefício das classes mais baixas.
O modelo PSDBista é uma cópia do modelo falido americano, e para que saiamos da abstração o melhor exemplo talvez seja a Cantareira e a falta de água em São Paulo. Quando a administração estadual decide não reformar o sistema que grita por melhorias para privilegiar a distribuição de dividendos a acionistas temos, na prática, o neo-liberalismo ferrando o social. Estamos sem água, mas os acionistas estão com seu lucro no bolso.
O modelo PTista, ao investir no social, mudou a cara do Brasil na última década. Fez ascender uma multidão de pessoas ao mercado consumidor, girou a economia, pagou o FMI, deu status ao país lá fora, diminuiu desigualdade, desemprego, tirou o Brasil do mapa mundial da fome, fortaleceu a Petrobrás (Ah, por favor. Sem essa de escândalo de corrupção. Está tudo aí, sendo investigado etc e tal. Veja apenas quanto valia a empresa com FH e quanto vale hoje).
Em outra palavras: você investe no social e nas classes mais baixas, todos ganham. Você investe no empresário, apenas o empresário ganha e a desigualdade aumenta.
Nem é preciso recorrer aos indicadores para que entendamos isso. Com 13 anos de investimentos sociais feitos pelo PT pergunte-se se algum de seus amigos que já eram ricos ficaram menos ricos. Não os meus. Quem era rico ficou ainda mais rico porque se mais gente passa a frequentar o mercado consumidor, se mais gente se educa e vive com um mínimo de decência, os donos dos meios de produção ganham ainda mais. A diferença é que agora o empresário pode viajar de avião ao lado do faxineiro da firma. É um exemplo tosco, mas vale por ser verdadeiro.
Eu sei, ainda estamos muito longe do ideal, mas não se muda 500 anos de tropeços e costumes deploráveis e desvios e sonegações em 12. É preciso mais tempo. É preciso mais investimento social. Mas estamos evoluindo, e uma administração neo-liberal interromperia todo esse processo.
É isso o que estaremos escolhendo no dia 26.
Não se trata de optar entre aqueles que fizeram o Mensalão ou aquele que construiu aeroporto particular com grana pública e empregou parentes em seu governo. Não se trata de escolher entre o “menor dos delitos”, ou em “alternar poder”. Não se trata de escolher entre o azul e o vermelho, entre o bom e o mau, entre o que fala bem e o que fala aos trancos, entre o filhinho de papai e a guerrilheira. Se trata de escolher um modelo de país. De optar entre o investimento no acionista ou o investimento no social. Entre a proteção ao dinheiro do rico ou à dignidade do pobre. É disso que se trata o dia 26.
FONTE: http://blogdamilly.com/2014/10/16/aos-meus-amigos-que-votarao-em-aecio/