terça-feira, 6 de novembro de 2012

DEUS E A REENCARNAÇÃO


DEUS E A REENCARNAÇÃO
Merlânio Maia

Ah! Mistérios!... Ah! Mistérios!...
Quantas dores neste mundo!
Desde o berço ao cemitério
Traduz-se vil e infecundo
E o homem gritando aos céus
Pergunta em vão: - Por que Deus?
No exercício da razão
Onde a justiça na vida?
Por que a dor descabida?
Eis a divina equação

Se Deus é Bom e é perfeito
E é Todo onipotente
Por que ao mal não dá jeito, 
Será que Deus vive ausente?
Ou não tem poder assim
Ou não quer do mal o fim?
Se ao mal não elimina,
Seremos obras do acaso?
Se Deus ainda faz caso
Onde a Justiça Divina?

Como entender que o perverso
O cruel, o enganador,
Que semeia no universo
Grito, sofrimento e dor
Tenha uma vida tranquila
Quando trama e aniquila
Dos mais pobres a esperança
E o usurário, o egoísta,
O criminoso estadista
Vive e morre na abastança?

Por outro lado o pequeno
O pobre que não tem paz
Trabalha de sol a sol
Sem nenhum conforto a mais
E a criança doente,
De enfermidade potente?
E outra que vem mutilada?
Onde, meu Deus, a justiça?
Que iniquidade enfermiça
Da tragédia desgraçada?

Mas Deus, Senhor amoroso,
Desde toda criação
Mostra-se um Pai bondoso
Que nos resolve a questão
Sua fórmula matemática
É perfeita, plena, prática,
Em todos os atos seus
E indica a REENCARNAÇÃO
Sua eterna solução
Eis a justiça de Deus

Pois que a reencarnação
É o perdão ilimitado
A vera reeducação
Para aquele desgraçado
Criminoso. E quem voltou
Mutilado, mutilou!
O enfermo, faltou com o Bem,
Na miséria, o milionário
Esbanjador, usurário,
Faltou com o amor também!

É impossível crer em Deus
Sem a reencarnação!
Sem esta os atos seus
Seriam a torpe versão
De um deus mesquinho e cruel
Criador de inferno e céu
Destruidor mais voraz
Sádico, cheio de maldade...
Inferior a humanidade
Que o homem seria mais

Impossível é aceitar
Deus sem reencarnação
Seria um deus sem amar
Seria um deus de ilusão
Mas com a palingenesia
A humanidade estagia
Numa educação constante
De uma justiça divina
Que ampara, instrui e ilumina,
Para o progresso radiante!

Deus é o Pai onipotente
Que cria e embeleza a vida
É o amor onipresente
É a verdade incontida
Imanência e transcendência
É a própria onisciência
Pelos Universos seus
É o progresso, é a perfeição!
Pois sem a reencarnação
Não há justiça, nem Deus!

SER DE LUZ

SER DE LUZ Merlânio Maia
(08 de Março - Dia Internacional da Mulher)

Ser de Luz! Que em si mesmo traz a vida
Traz a força que atrai, congrega e encanta,
Provocando a emoção que se agiganta
E na química mística convida

E em teus braços macios de veludo
Dás ao homem a impressão do poderio
Das tormentas da terra ao mar bravio
E num sonho a promessa que há em tudo

E preparas no ventre o teu mistério
Emprestando o teu corpo a divindade
Para que perpetue a humanidade
Enfeitando de vida o ministério

E enquanto o homem sonha com teu sonho,
Ser de Luz, tu preparas docemente...
A chegada da estrela do oriente
E um Natal, luz no teu peito risonho

E entre as teias do amor fazes teu Lar
Onde a tua emoção se faz mais bela
Mesmo em tosca cabana da favela
É um lugar onde a luz irá reinar

E assim encantando as existências
Luz nas trevas e bálsamo na dor
Despertando outros mundos para o amor
Segues iluminando as consciências

Ser de Luz, Ah! Quem dera decantar
Teu valor infinito num poema
E em palavras tecer meu diadema
E a tão sublime fronte embelezar

Ser de Luz! Segue a luz dos dotes teus
Sem que esqueça de nós no teu mister
Nos conduz em teus braços de mulher,
Pois já sei que tu tens parte com Deus!

VEM, AMIGO DE JESUS!


VEM, AMIGO DE JESUS!
Merlânio Maia

"O reino dos céus está dentro de vós!"
 Jesus em LUCAS 17:21.

Quem és tu, ó meu senhor,
Que entras na eternidade?
- Eu sou a felicidade
Que inventei dia-a-dia
Eu sou muitos, levo sempre
Uma trupe nas memórias
Vivo o riso e conto histórias
Eu sou a própria alegria!

Que fazes por este mundo?
- Eu levo o contentamento
Diminuo o sofrimento
E desmascaro a maldade
Sou o humor inteligente
Sou a luz pura do riso
Que cura a dor de improviso
Trago esperança e bondade

E pra onde vais, amigo,
Conversando a sós, contigo,
Não tens medo do perigo
Desse mundão de meu Deus?
- Pra ser sincero, não temo,
Eu trago dentro de mim
Felicidade sem fim
Eu tenho o Reino dos Céus!

Então vem, que o céu te espera
Vejo em ti toda a alegria
Que quem te vê se irradia
Com o poder de tal luz
Tens em Ti o eterno reino
No mundo ao triste alegraste
Nas sombras te iluminaste
Vem, Amigo de Jesus!

SAUDAÇÃO DO EMAIL

Meu povo,

Esta era a minha saudação de assinatura dos meus Emails.

Recuperei de um dos Emails do ano de 2009, pela singeleza poética e estou postando aqui para não se perder nas noites dos tempos.


Saudações do seu criado
Nascido no interior
Sempre devedor da vida
E da sorte um construtor
Poeta desde menino
Sina que deu-lhe o destino
Mas que não foge da raia
Declamador, violeiro,
Vate de verso estradeiro,
Cantador: Merlânio Maia!

QUAL FOI O MAL QUE TE FIZ?


Se pelas ruas da vida
Sem querer eu te fiz mal
Vem e diz diretamente
Pois amar é o meu fanal
Se alguma dor te causei
Se acaso te magoei
Eu sempre te quis feliz
Sou teu amigo de fato
Responde, não seja ingrato,
Qual foi o mal que eu te fiz?

ENTREVISTA A ABRARTE

Meu povo querido,

Segue a entrevista que dei para a Diretoria da ABRARTE-Associação Brasileira de Artistas Espíritas, para o seu Jornal NOTÍCIAS DA ABRARTE.

Aqui está um pouco da minha história na veredas da Arte Espírita.



Merlânio Maia é paraibano da cidade de Itaporanga. Poeta, conferencista espírita, declamador, cantador e músico, já publicou seis livros e gravou oito CDs. Espírita desde a juventude, tem feito um trabalho de difusão do Espiritismo através da sua arte por todo o Brasil, levando a alegria e a verve de uma poética intensa que faz rir e chorar com os contos e cantos recolhidos nas veredas da vida. É associado da Abrarte desde novembro de 2007.

1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?
Comecei na Federação Espírita Paraibana. Eu já escrevia poesia e encontrei um parceiro de primeira hora, o Marco Lima, que hoje é o presidente da Federação. Depois passei para a MEBEM (Mocidade Espírita Deus, Amor e Caridade) em João Pessoa, que era uma mocidade muito atuante em se tratando de arte espírita. Ali comecei escrever textos de teatro e atuar em peças espíritas.

2. Foi a arte espírita que o despertou para a Arte ou você já tinha uma vivência artística?
Quando me tornei espírita, eu já escrevia poesia popular, já fazia shows com meus irmãos que são todos artistas, e nesta época eu participava há 10 anos de um grupo de teatro amador, já tínhamos atuado em várias peças, como autor, ator e até diretor, pois já escrevia textos para teatro, etc. Naquele final dos anos 70 e início dos anos 80 havia uma efervescência artística na Universidade e eu estava no olho do furacão.

3. Como você define a arte espírita?
Arte é arte e ponto. O que fazemos é uma arte engajada, pois que parte de uma concepção de mundo estabelecida por um corpo de doutrina, logo, somos remetidos a uma estética partida desta visão cosmogônica. No entanto, esta visão é tão rica que nos faz voar ao ilimitado da inspiração, já que conceitos como morte, finitude, dor, violência, etc., são relativizados. A impermanência nos remete ao infinito, pois nos possibilita este voo inspirado até Deus.

4. Você tem trabalhado com elementos da cultura popular, como a literatura de cordel, os causos e as trovas, para traduzir em linguagem simples os ensinamentos da Doutrina Espírita. Poderia falar um pouco desta experiência?
A cultura popular é um manancial poderoso, pois que tem suas raízes nas construções de três povos: o índio brasileiro, o negro africano e o branco europeu, mesclada pela invasão de outros elementos como os mouros. Então, a arte popular brasileira não tem apenas 500 anos, é milenar, pois bebe nestas fontes, sem falar no processo de inspiração e intuição desses povos que produz um caldo cultural poderosíssimo. E a partir daí eu uso esta cultura popular como veículo para levar esta arte engajada recheada de esperança, pois que vem da espiritualidade.

5. Como você vê a atuação do artista profissional  que é espírita? Ele pode desenvolver trabalhos artísticos de conteúdo doutrinário, mesmo sendo remunerado por isto, ou deve abster-se de falar de Espiritismo em seu exercício profissional e tratar de temática espírita apenas nas situações em que ele se apresente gratuitamente, em eventos ou centros espíritas?
Acredito que estes conceitos daquilo que chamamos de arte espírita será incorporado à arte popular brasileira, logo, não vejo problema nenhum em se ser profissional e tirar seu ganho da arte com conceituação espírita. Inclusive, para a espiritualidade isto é relevante. O importante é a mensagem ser veiculada. Veja o exemplo do cinema espírita. Não é arte espírita? Pois bem, todos os envolvidos são muito bem remunerados e nós aplaudimos com fervor, divulgamos com ardor. Então seria uma hipocrisia criticar ou impedir que as outras modalidades não tivessem este direito. A remuneração produz a boa qualidade da arte.

6. Você lançou, informalmente, uma campanha para estimular os espíritas a apoiar a arte espírita. Você acha que está faltando este apoio?
Ainda faço esta campanha, porém com menos afinco, pois tenho que manter minha família. Tenho uma empresa que me mantém com tempo limitado para as atividades espíritas, no entanto, acredito que falta, da parte das lideranças do movimento espírita uma consciência da grandeza da arte como um veículo de divulgação séria do Espiritismo. A arte sempre foi colocada como uma brincadeira de jovens e isto não é verdade. Meu sonho é que a arte espírita seja consumida como o são os livros espíritas.

7. Na sua opinião, qual a contribuição da arte espírita para a sociedade?
A arte espírita, de forma simplificada, é o belo em busca do bem, é a arte moralizada, mas tenho visto alguns autores que afirmam, apaixonados, que a arte está acima do bem e do mal, o que não é verdade! Perguntei a um professor de estética da UFPB se ele aprovaria uma arte que estimulasse o estupro, a matança de crianças como objeto de gozo e ele disse que esta arte teria seu repúdio. Então lhe falei: a arte não pode ser para além do bem e do mal. A arte para ter sua função de tocar e até mudar o seu fruidor tem que ser moralizada, fora disso não é arte. Especialmente a arte espírita que eleva seus fruidores e dá esperança a quem já a perdeu, mostrando o seu futuro luminoso.

8. Como está o movimento artístico espírita na Paraíba?
A arte na Paraíba é muito forte. Os movimentos artísticos de rua, de praça, de palco, de teatro são muito fortes. Assim também a arte espírita. Nós temos inúmeros grupos de música espírita, a exemplo do Grupo Acorde, temos muitos grupos de teatro excelentes. Este ano estaremos levando alguns companheiros para o Fórum da Abrarte, para inserir a Paraíba no roteiro artístico abrarteano.

9. Você tem algum projeto novo a caminho?
Este ano espero terminar o livro “Jesus – A Saga do Amor Sem Fim”. Este livro é o Evangelho de Lucas inteiro feito em poesia. Poesia popular em redondilha, e decassílabos, galopes e martelos cheios de cor e da simbologia evangélica que emociona, pois tem me emocionado bastante. Além deste livro, tem um CD de música e poesia que tem como título “Saudades de Jesus” que estou aprontando para o segundo semestre.